Flickr/Chapecoense
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Dirigente da Chape diz que começar do zero foi o desafio para montar elenco 

Rui Costa afirma ter deixado claro para os atletas o que significava chegar ao clube naquele momento: 'Era uma visibilidade mundial'

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2017 | 07h00

Há um ano, o mundo chorava a morte de 71 pessoas no acidente com a delegação da Chapecoense. Dias depois, era necessário dar início a reconstrução do clube catarinense e se reerguer. Coube ao diretor executivo Rui Costa, uma das missões mais complicadas do futebol brasileiro, que era montar uma equipe em meio a tragédia. 

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Rui lembra que o maior desafio era superar a desconfiança. “Não chegamos para continuar um projeto, mas sim, substituir alguém que morreu. É muito pior. Tudo que a gente fazia lembrava alguém que faleceu”, lembra o dirigente, em entrevista ao Estado

Saber dosar a emoção pela tragédia com o profissionalismo foi fundamental para conseguir montar um elenco do zero e ser campeão catarinense e com possibilidade de conquistar uma vaga na Libertadores do ano que vem. “Não quis apelar para o lado da emoção. Fomos pela linha da reconstrução e lembrar os jogadores que eles teriam uma visibilidade mundial, pois todos estavam olhando a Chapecoense”, conta Rui.

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Pelo cenário de quando chegou ao clube, imaginar que, um ano depois da tragédia, seria campeão estadual e teria assegurada a permanência na Série A parecia algo utópico. “Claro que trabalhamos esperando o melhor, mas não imaginava um título. Mais do que a conquista, chegamos também a liderar o Brasileiro, mostramos nossa força em diversos jogos, ganhamos de grandes clubes e passamos por algumas crises ao longo da temporada, como vários outros passaram. Tudo isso nos deu mais força”, lembra. 

Pessoalmente, reerguer a Chapecoense é uma vitória para Rui Costa. Após 18 anos trabalhando no Grêmio, ele foi um dos primeiros contratados após a tragédia e acredita ter enfrentado a missão mais complicada de sua carreira. “A pressão na Chape é diferente do que no Grêmio. Aqui, eu tinha a missão mais complexa da história recente do futebol. Eu precisava responder a uma comunidade.

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Todos estavam olhando o que a gente fazia. Se eu não conseguisse colocar um time em campo seria um fracasso total. Se eu não tivesse um departamento de futebol capacitado para suportar toda a visibilidade e sequência de jogos, também seria bem difícil administrar”, lembra.

Para 2018, a ordem no clube catarinense é saber que a tragédia não irá ser esquecida jamais, mas a esperança é de que os resultados dentro de campo façam com que o modesto clube catarinense passe a ser visto de uma outra maneira.

“Acho que me breve o processo vai mudar. Vão passar a respeitar a Chapecoense como um concorrente na disputa por títulos. Claro que a gente agradece por todas as manifestações, mas em 2018 queremos continuar a crescer, consolidar a marca, se tornar auto sustentável e mostrar que somos uma força nacional. Queremos ser respeitado pelo trabalho e não ter nada de presente. A Chape é um clube que se recusa a perder. Esse é o nosso lema”, finaliza o dirigente. 

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