Lucas Figueiredo/ CBF
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Robson Morelli
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Dirigente é figura amada e desprezível no futebol brasileiro

É preciso cobrar e responsabilizar o cartola por melhorias nos clubes e no esporte nacional

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2022 | 05h00

O pior personagem do futebol é o dirigente, outrora chamado de cartola, que nunca tirou o pé do amadorismo apesar da modernização do esporte. O dirigente é aquele cidadão que comanda o departamento de futebol do clube. Tem na figura do presidente seu maior representante nessa engrenagem.

A generalização é burra, por isso digo que há dirigentes que tentam sair do lugar-comum e da velha e surrada cartilha. Mas é preciso peneirar. São minoria e quase sempre vencidos nas decisões em bloco, como aquelas das federações estaduais e da CBF. Aliás, nessas mesmas instituições, incluindo a Fifa, a maior de todas, há muita gente despreparada, que ainda bebe das águas sujas do futebol do passado.

O cartola mente descaradamente. Vive falando de modernização e transparência, mas esconde números e contas, geralmente descobertos quando ele já não está mais no cargo.

Poderia citar 20 nomes aqui, na ponta da língua, mas tenho certeza de que seriam os mesmo que vocês conhecem. Sabem de quem estou falando.

O mau dirigente tem muitos planos para divulgar. Estão todos na gaveta. Recusam dar explicações a não ser nos canais da própria instituição, ou seja, com informações oficiais.

Alguns andam tramando produzir o próprio conteúdo do clube, com a promessa de alimentar todos os seguidores. Claro, sem críticas ou contestação, empurrando a sujeira para debaixo do tapete. Já fazem isso. Só querem potencializar.

O dirigente não se emenda porque é pouco cobrado. Uma vitória num clássico ou conquista de torneio é capaz de esconder fraquezas e mazelas.

O dirigente deu agora para se ajoelhar diante da torcida, como fizeram os comandantes de Corinthians e Santos, pressionados em trocar de técnico. O Corinthians demitiu Sylvinho e o Santos colocou Fábio Carille na rua. Assumem a decisão e vida que segue, como se não tivessem errado.

Há vários tipos de dirigente. Tem o falastrão. Tem o fazedor de promessas. Há o invisível. Tem aquele que se mete onde não deve. O da rede social. Tem o autoritário. O falso democrata. O mentiroso. O gastão. O sem noção. O individualista. O medroso... Esses cartolas ainda não se deram conta do tamanho de suas responsabilidades na melhora do futebol brasileiro, consequentemente, na alegria do torcedor, na geração de empregos, na venda de produtos, no consumo dos jogos no Brasil e fora dele, no crescimento dos seguidores e em tantas outras situações geradas pelo futebol. Estamos falando de milhões de consumidores somente dentro do Brasil, de norte a sul do País, durante o ano.

Cobramos muito de treinadores e jogadores, dos juízes de campo e dos árbitros de imagem (VAR), mas o grande responsável pela orquestra é o dirigente de futebol. Essa figura amada e desprezível.

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