Dirigente usa microfone para demitir

Atitudes cômicas e inusitadas sempre foram características dos dirigentes do futebol brasileiro. Em Ribeirão Preto, o presidente do Comercial, Santino Soares da Silva Júnior, protagonizou mais um ato que poderia ser cômico, se não fosse trágico. Após a derrota de seu time para o Oeste, por 2 a 1, em Itápolis, o presidente demitiu o zagueiro Izael pelo microfone de uma rádio da cidade."Izael é um jogador que não volta a atuar com a camisa do Comercial", bradava o dirigente. A atitude, além de ser curiosa foi reincidente. Há uma semana, Santino demitiu o goleiro Milagres pelo microfone da mesma rádio e o meia Palhinha, ex-São Paulo, pelo telefone. "Sou um homem calmo, equilibrado e capaz de suportar fortes pressões, não gosto de tomar decisões com a cabeça quente, pois, com racionalidade a possibilidade de errar é bem menor", disse, mostrando uma pitada de incoerência em suas frases.A revolta do dirigente se deve ao fato da péssima campanha do time no Campeonato Paulista da Série A2. O time está a um ponto do último colocado do Grupo 2 e briga para não ser rebaixado. "Os resultados não vieram, o time não conseguiu jogar, nada deu certo e agora lutamos para não cair. Não temos receita suficiente para pagar em dia, tanto que os salários estão indo para o segundo mês de atraso. Assim que o campeonato terminar vamos reestruturar tudo", esbravejou.Com 41 anos de idade, dono de uma serralharia, Santino assumiu a presidência do Bafo de forma inusitada, situação constante em sua vida. Nas eleições para a presidência do clube, em 2000, o então candidato Adelino Gala precisava nomear um 5º presidente para compor sua chapa. Como não tinha opções, ligou para o pai de Santino, antigo dirigente, que aceitou colaborar com o amigo, indicando os dados do filho. Alguns meses depois, entre abril e maio de 2001, Adelino Gala renunciou ao cargo e pediu para que todos os vices nomeados fizessem o mesmo. Todos atenderam o pedido, menos Santino Junior. Mesmo sem nunca ter atuado diretamente no comando do clube, ele se tornou, por força do estatuto, o presidente para o restante do mandato de Gala. Em novembro de 2002, Santino foi reeleito presidente para o exercício 2002/2004.

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