Dirigentes da Fifa detidos podem pegar até 20 anos de prisão

Dirigentes da Fifa detidos podem pegar até 20 anos de prisão

São acusados conspiração, fraude e lavagem de dinheiro no futebol

O Estado de S. Paulo

27 de maio de 2015 | 09h44

A estimativa é que as penas de corrupção para executivos da Fifa e de todos os detidos envolvidos na operação deflagrada pela Justiça dos Estados Unidos, caso se comprove, de fato, sua culpa, é de até 20 anos de prisão, além da devolução de dinheiro ou de propina recebida. A acusão formal aos membros da Fifa em Zurique na manhã desta quarta-feira foi aberta pelo juiz distrital Raymond J. Dearie, de Nova York.

"Os réus individuais indiciados e condenados enfrentam prazos máximos de prisão de 20 anos para conspiração, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça. Além disso, Eugênio Figueredo enfrenta uma pena máxima de prisão de 10 anos por uma acusação de fraude de naturalização e poderá ter sua cidadania dos EUA revogada", informa o documento do Departamento de Justiça dos EUA. Eugênio Figueiredo é ex-presidente da Conmebol. "Ele também enfrenta pena máxima de prisão de cinco anos para cada carga fiscal."

Entre os nove indiciados e sete detidos nesta quarta, todos membros da Fifa, está o brasileiro e ex-governador de São Paulo, José Maria Marin, que em abril deste ano passou o cargo de presidente da CBF, a maior entidade do futebol brasileiro, para seu braço-direito Marco Polo del Nero, que não foi citado nas investigações. Todos os cartolas presos podem ser extraditados para os Estados Unidos. Promotores norte-americanos já pediram isso. Esse processo, no entanto, não é rápido e pode levar até dois anos.

Em documento divulgado na imprensa, o Departamento de Justiça dos EUA informou ainda que alguns membros acusados aceitaram ajudar nas investigações e admitiram culpa em parte do processo de propina. Um deles foi o empresário J.Hawilla, da Traffic, que terá de devolver dinheiro. Vale lembrar que os cartolas sul-americanos da Fifa estão sendo acusados de benefícios próprios e de enriquecimento ilícito em esquemas fraudulentos na organização comercial do futebol.

"A maioria dos esquemas alegados na acusação diz respeito à solicitação e recebimento de subornos e propinas por autoridades do futebol, de executivos de marketing esportivo em conexão com a comercialização dos meios de comunicação e direitos de marketing associadas com várias partidas e torneios de futebol, incluindo eliminatórias da Copa do Mundo da Fifa em região da Concacaf, organizado conjuntamente com a Conmebol, como Copa América, Libertadores e até Copa do Brasil, que é organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF )", informa o documento. 

Ainda: "Outros alegados regimes dizem respeito ao pagamento e recebimento de subornos e propinas em conexão com o patrocínio da CBF por uma grande empresa esportiva dos EUA, a seleção do país anfitrião da Copa do Mundo de 2010 e as eleições presidenciais da Fifa em 2011." Todos os réus, se condenados, devem restituir os valores envolvidos e sofrerão confisco de bens. Eles também serão multados em US$ 500 mil (R$ 1,4 milhão). Cada réu enfrentará um ano de liberdade condicional. As investigações do governo dos EUA estão em curso e não acaba nas prisões em Zurique.

 

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