Washington Alves/Divulgação
Washington Alves/Divulgação

Dirigentes preferem pontos corridos no Campeonto Brasileiro

Poucos presidentes de clubes e federações são favoráveis à volta do ‘mata-mata’ como sistema de disputa da competição

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2015 | 17h00

A tentativa de retomada do mata-mata no Campeonato Brasileiro liderada pelo presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, e o presidente da Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues, não é apoiada pelos principais dirigentes do País. A maioria dos presidentes de clubes e federações ouvidos pelo Estado é favorável à manutenção da disputa por pontos corridos.

No fim do ano passado Rodrigues levou à CBF sugestão que prevê que as equipes sejam divididas em dois grupos de dez times cada. Avançariam os quatro primeiros de cada lado, que jogariam entre si em partidas de ida e volta. Os quatro primeiros dessa chave disputariam o mata-mata na semifinal e na final. A decisão de terceiro e quarto lugar definiria o representante direto na fase de grupos da Libertadores.


O presidente do Grêmio já procurou outros dirigentes para tratar do assunto, mas diz não ter um modelo pronto de disputa. “Defendo a decisão do campeonato através de um playoff. A ideia é privilegiar quem tem teve um bom índice técnico ao longo campeonato. Não tenho uma fórmula ideal, mas quero que essa pauta seja discutida entre os clubes”, disse.

Entusiasta dos pontos corridos, o presidente da CBF, José Maria Marin, disse na última sexta-feira que pretende estudar o assunto. “Não quero adiantar nada porque esse assunto tem de ser tratado de uma forma geral e não particular. Não pode ser uma decisão isolada e vamos ouvir todo mundo, inclusive a Globo (detentora dos diretos de transmissão).”

O presidente da Federação Paulista de Futebol e vice da CBF, Marco Polo Del Nero, que assumirá o comando da entidade a partir de 16 de abril, é contrário à mudança. “O Brasileiro vai bem, obrigado. Já temos mata-mata na Copa do Brasil, na Libertadores e na Sul-americana. Temos bastante futebol ao sabor do torcedor”, justificou.

O sistema de pontos corridos é usado nos principais campeonatos da Europa e entrou em vigor na Série A do Brasileiro em 2003. Naquele ano, o campeonato foi disputado por 24 clubes. Dois anos depois, o número de participantes caiu para 22. Desde 2006 a competição conta com 20 times.

“O campeão por pontos corridos é inquestionável, enquanto o mata-mata é melhor sob o aspecto motivacional e financeiro. Mas se for para escolher um, prefiro os pontos corridos”, disse o presidente do Corinthians, Mário Gobbi.

Opinião semelhante tem o vice-presidente do São Paulo, Julio Casares. “Defendemos a estabilidade do calendário. Toda mudança abrupta não é boa. Mudar fórmula de campeonato é ruim para o futebol.”

O presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, está indeciso e aponta pontos favoráveis nos dois formatos de disputa. “Nos jogos finais do mata-mata as rendas com bilheteria são maiores e isso faz uma diferença gigantesca para os clubes. Já nos pontos corridos você premia o time mais regular e faz justiça dentro de campo.”

Entre os grandes clubes de São Paulo o único que defende a volta do mata-mata é o Santos. Recém-eleito, o presidente Modesto Roma Júnior alega que o Brasileiro por pontos corridos não é mais atrativo. “Os dirigentes precisam voltar a se reunir mais para tratar de assuntos que busquem a melhoria do futebol. Sou favorável a uma discussão sobre a fórmula de disputa do Brasileirão porque o torcedor já está cansado da atual. A falta de interesse na reta final deste último Brasileirão foi notória.”

Atual bicampeão, o presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, é “totalmente contra” à mudança no campeonato.

Tudo o que sabemos sobre:
FutebolCBFBrasileirão

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.