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Disputa nos bastidores, processos e propostas agitam saída de Gabriel Jesus

Clube e empresários brigam na Justiça para tentar receber mais pela negociação

Daniel Batista, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2016 | 07h00

O Palmeiras já acertou a venda de Gabriel Jesus para o Manchester City por 32 milhões de euros (R$ 116,6 milhões), mas uma parte do valor ainda causará muita briga na Justiça e negociações. Recentemente, o clube teve mais uma tentativa frustrada de comprar parte dos direitos econômicos do jogador, que pertence ao empresário Fábio Caran. A diretoria alviverde também processa o agente usando como argumento algo que o outro representante do atacante, Cristiano Simões, também fez, mas não está sendo acionado judicialmente. O fato é que o clube tenta de todas as formas lucrar o máximo possível com a saída do jogador.

O Estado apurou que Cristiano abriu uma empresa no dia 14 de agosto de 2013 tendo 90% do capital e seu sócio Ricardo Garozo Carnielli comandava 10%. No dia 11 de janeiro de 2016, houve uma redistribuição do capital e Gabriel Jesus entrou como sócio da empresa, com 10%. Cristiano passou a ter 80% e Carnielli se manteve com 10%. 

O Palmeiras processa a empresa da mulher de Fábio Caran, Naima Ferreira, alegando que ela quebrou o contrato a partir do momento que colocou sócios em sua empresa. Inicialmente, a empresa tinha apenas ela no comando. Pouco depois, ela passou a ter 1% da empresa e 99% ficaram na mão de outros dois agentes, Reinaldo Muhammad Mahmud Ayesh e Marco Francisco Lopez Redondo, amigos de Caran.

O contrato do atacante determina que nenhuma das partes pode repassar os direitos do atacante para terceiros, sem anuência dos demais envolvidos. O Palmeiras alega que a partir do momento que Naima colocou sócios na empresa, se caracterizou transferência dos direitos para terceiros.

O caso rende discussão entre advogados. Alguns ouvidos pelo Estado disseram que a reclamação não procede pelo fato do CNPJ da empresa da mulher de Caran ter sido mantido e os direitos do atleta serem ligados a empresa e não a pessoa física. Mas existe também uma linha de conduta que vê má-fé por parte do agente, a partir do momento em que sua esposa passa de 100% a 1% da sociedade pouco depois da renovação de contrato do jogador.

Enquanto processa a empresa de Naima, o Palmeiras também tenta comprar a parte que pertence a ela. Recentemente, o diretor de futebol Alexandre Mattos teve uma nova reunião com Fábio Caran e ofereceu cerca de 2,5 milhões de euros (R$ 9,1 milhões) mais algumas bonificações, pelos 22,5% do agente, que recusou novamente. Antes, já havia sido feito uma proposta com valores bem distantes do que agradava o empresário.

Os direitos de Gabriel Jesus são divididos com o Palmeiras tendo 30%, Gabriel Jesus 25% e os empresários Fábio Caran e Cristiano Simões 22,5% cada. Dos 32 milhões de euros da transação, o Palmeiras deveria receber 9,6 milhões de euros (R$ 34,9 milhões), Gabriel ficaria com 8 milhões de euros  (R$ 29,1 milhões)e os agentes com 7,2 milhões cada (R$ 26,2 milhões). 

Mas as porcentagem não foram fidedignas em relação aos valores. O Palmeiras tem certo 16 milhões de euros (R$ 58,3 milhões), Gabriel Jesus ficou com 8 milhões e os agentes ficariam com 4 milhões de euros (R$ 14,5 milhões) cada. O clube vai arrecadar mais pelo fato de Cristiano ter aberto mão de parte do seu valor, já que receberá comissão pela transação, dentre outros benefícios. E o Palmeiras ainda ficará com uma parte que pertenceria a Caran.

Caso consiga vencer o empresário na Justiça, o Palmeiras ainda pode ficar com 20 milhões de euros (R$ 72,8 milhões) no total. O agente ainda briga para recebe o mais próximo possível dos 7,2 milhões de euros que teria direito. 

Independente do rumo das negociações, é certo que Gabriel Jesus defenderá o Manchester City em 2017. O clube inglês já depositou uma parte do valor da negociação e o restante será quitado no fim deste ano. O Palmeiras é responsável por pegar o dinheiro e distribuir aos demais envolvidos na negociação. 

 

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