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Empresa pode estar envolvida em negócio polêmico com São Paulo

Criciúma acusa o clube do Morumbi de ter aliciado Iago Maidana

CIRO CAMPOS E MARCIO DOLZAN, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2015 | 08h04

O mais recente reforço contratado pelo São Paulo é alvo de questionamentos pela CBF e Federação Paulista de Futebol (FPF). As entidades quererem saber do clube do Morumbi e demais envolvidos detalhes da vinda do zagueiro Iago Maidana, de 19 anos, e suspeitam de possíveis irregularidades no formato da operação. O defensor rescindiu com o Criciúma, esteve vinculado por dois dias com um clube goiano e chegou ao time paulista em transferência intermediada por empresa sediada em uma distribuidora de bebidas.

A CBF confirmou nesta quarta-feira que notificou os clubes envolvidos para que provem que não descumpriram o Regulamento de Registro e Transferência. No comunicado, a entidade esclareceu que desde 1º de maio a Fifa proíbe a participação de terceiros interessados em negociações, o que pode ter se caracterizado pela participação de um fundo de investimentos e o registro do atleta no Monte Cristo, da terceira divisão goiana, por apenas dois dias. "Nenhum clube ou jogador poderá celebrar um contrato com um terceiro por meio do qual este terceiro obtenha o direito de participar", diz trecho do texto.

O caso pode parar no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e render como punição advertência, multa ou suspensão no registro de novos jogadores. Iago Maidana treina com os profissionais no CT da Barra Funda e foi vice-campeão mundial sub-20 com a seleção brasileira em 2015.

A suposta "triangulação" entre os times teve início no começo do mês, quando Iago rescindiu contrato com o Criciúma. De 9 a 11 de setembro o jogador esteve vinculado ao Monte Cristo, até ser negociado ao São Paulo por R$ 2 milhões por 60% dos direitos econômicos. O intermediário da operação foi uma empresa chamada Itaquerão Soccer, registrada na Receita Federal desde julho e com um endereço onde funciona uma distribuidora de bebidas na zona leste de São Paulo.

A reportagem conversou com representantes dos três clubes envolvidos e foi à sede da empresa, no bairro de Cidade Líder, na zona leste da capital paulista. No local, funcionários do estabelecimento confirmaram que também funciona a Itaquerão Soccer, mas a pessoa responsável por esse segmento não é funcionária da distribuidora. A reportagem telefonou para um dos representantes, identificado como Fernando, mas ele não retornou o contato.

A participação dos intermediários é confirmada pelo presidente do Monte Cristo, Getúlio Orlando de Souza. "Temos uma parceria com eles já há oito meses. O Iago havia rescindido com o Criciúma e estava livre. Tínhamos pressa em regularizar a situação dele para que pudesse jogar a Copinha (Copa São Paulo de Futebol Júnior), mas a oferta do São Paulo foi boa", explicou.

Segundo o dirigente do time goiano, mais três atletas do clube devem se transferir para as categorias de base do São Paulo, que, por sua vez, não confirma a informação. O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, disse à reportagem ter recebido um pedido de esclarecimentos da CBF, mas descartou existir alguma irregularidade na operação. "Nós fomos até o clube, fizemos a proposta e contratamos o jogador. Se antes disso houve algo rolo, não nos diz respeito", afirmou. Quem participou da negociação foi o gerente de futebol José Eduardo Chimello e o ex-gerente da base Júnior Chavare.

O Criciúma acusa o clube do Morumbi de ter aliciado o jogador. Para o clube catarinense, o São Paulo tinha interesse em Iago antes mesmo de o zagueiro rescindir o contrato e poderia ter gasto menos dinheiro caso tivesse procurado diretamente a equipe catarinense. A diretoria do time questiona a notificação da CBF e entende ser vítima no caso.

NO TRIBUNAL

"Notificamos os três clubes (São Paulo, Criciúma e Monte Cristo) a nos enviar a documentação. Até o momento, apenas o Criciúma encaminhou os documentos. Esse jogador não era do São Paulo e o clube, em princípio, não fez nada de errado. Só tem de provar que não pagou pro Itaquerão". (Itaquerão Soccer é o grupo de investidores, que não é registrado na CBF)", disse Reynaldo Buzzoni, diretor de registro e transferência da CBF. Segundo Buzzoni, a CBF não pode punir os clubes. "Caso encontremos alguma irregularidade, encaminharemos o caso para o STJD".

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