Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Divergência sobre protocolo causou saída de médico, diz presidente do Corinthians

Dr. Ivan Grava discordou da diretoria corintiana quanto ao tempo de quarentena de jogadores assintomáticos

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2021 | 05h00

Poucas horas antes de entrar em campo em São Caetano do Sul, o Corinthians surpreendeu no domingo ao anunciar a demissão do médico Ivan Grava, referência do clube e filho de Joaquim Grava, que dá seu nome ao Centro de Treinamento do time. Após rumores, o presidente Duílio Monteiro Alves deu sua versão sobre a saída e garantiu que foram divergências sobre o protocolo para a covid-19 que motivaram a demissão.

"Não existe nenhum problema de descumprimento de protocolos do dia a dia, por atletas, funcionários ou diretores. Essa conversa não existiu com o Dr. Ivan. Existe o protocolo que o Corinthians segue há praticamente um ano, protocolo que é usado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), totalmente científico, usado também pelos clubes do Brasil, aceito e usado pela CBF, Conmebol e Fifa", disse o dirigente corintiano.

A maior divergência entre Ivan Grava e a direção estaria no tempo de quarentena dos jogadores em casos de poucos sintomas ou assintomáticos. No início da pandemia, havia a orientação médica de colocar o infectado em isolamento por 14 dias. Mas, na retomada das competições, a CBF estabeleceu em seu protocolo que os jogadores poderiam voltar em período menor, de dez dias, caso não apresentassem sintomas graves. 

"Esse protocolo deixa muito claro que atletas com sintomas leves ou sem sintomas podem voltar em dez dias. No treino, eles são avaliados e voltam. Quando há sintomas moderados, com necessidade de internação, eles voltam em 15 dias", reforçou Duílio Monteiro. 

Nos últimos dias, porém, o Corinthians enfrentou surto de covid-19, principalmente no elenco. E o trio formado por Cássio, Fagner e Gabriel, que testaram positivo para o coronavírus, foi afastado no dia 2 deste mês e retornou aos treinos no dia 11. Ou seja, cumpriram quarentena de nove dias. 

"Desde o início da pandemia, o Corinthians tem se baseado em ciência. O período máximo de já jogar é dez dias após o exame detectar a infecção. O que existiu foi uma discordância de tempo de retorno entre o Corinthians e o Dr. Ivan", disse o presidente corintiano. 

"Todo o nosso corpo médico, junto do nosso consultor médico, conversou sobre as razões do protocolo com tempo maior. Não foi o presidente que determinou que o atleta volte hoje ou amanhã. O que existe é um corpo médico. Ficou resolvido que os atletas poderiam voltar antes do previsto pelo Dr. Ivan. Ele se sentiu desautorizado e achou melhor pedir demissão. Nenhum jogador, diretor ou funcionário estava descumprindo o protocolo", enfatizou o dirigente. 

Com a saída de Ivan Grava, que atuava no clube desde 2014, o Corinthians vai reforçar seu corpo médico com Michel Youseff Muniz Domingos, que estava nas categorias de base. Ele vai atuar ao lado dos médicos Ana Carolina Râmos e Corte e Eures Soncini Facci, que também passará a atuar com o futebol profissional. Júlio Stancati, outro médico do clube, está afastado para se recuperar da covid-19.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.