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Dívidas da Portuguesa podem estar ligadas à escalação de Héverton

Rombo financeiro pode chegar até R$ 600 milhões; empréstimos foram interrompidos em setembro do ano passado

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

14 de março de 2014 | 15h44

SÃO PAULO - Dívidas contraídas em um período de sete anos e um rombo financeiro de até R$ 600 milhões podem ser ligados à escalação do meia Héverton na ultima rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado. "Os indícios de suborno são grandes", disse o promotor Roberto Senise Lisboa.

Segundo ele, já há provas de transações acima de R$ 100 mil no período próximo à partida Portuguesa e Grêmio. Os nomes não foram divulgados para "preservar" a identidade dos envolvidos. O COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) deve enviar à promotoria extratos dessas transações.

A dívida contraída pelo clube começou ainda em 2005, quando o Banco Banif deu início a uma série de empréstimos à Portuguesa. Os valores eram depositados mensalmente na conta do ex-presidente  Manoel da Lupa, além de Roberto Cordeiro e Luís Iaúca, ex-dirigentes do clube.

Em setembro do ano passado, porém, o Conselho Deliberativo do clube proibiu essas transações.  "Ainda não sabemos se a escalação tem relação com isso (as dívidas), mas há indícios razoáveis", afirmou Lisboa. O banco português, inclusive, moveu quatro ações contra o clube para cobrar uma dívida de R$ 43 milhões, referentes a esses empréstimos.

INVESTIGAÇÃO

As irregularidades identificadas pelo MP nas operações casadas (empréstimos) iniciadas há sete anos são alvo de investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

"As investigações estão prosseguindo. Elas não pararam. A novela continua", disse Lisboa. Ainda segundo ele, o MP vai obter novos documentos para identificar alguma irregularidade nessas transações. Isso deve ocorrer em até 30 dias.

No fim de janeiro, o promotor afirmou que havia provas de que funcionários do clube sabiam do julgamento de Héverton. Mesmo assim, o meia foi relacionado para o jogo contra o Grêmio. O aviso foi feito por e-mail, mas não a informação não foi levada adiante.

NOVO CAPÍTULO

O recurso usado pelo Ministério Público após o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negar a devolução dos quatro pontos à Portuguesa e ao Flamengo no último dia 18, deve ser julgado até a semana que vem. O MP argumenta que o Estatuto do Torcedor foi desrespeitado porque as punições impostas aos clubes deveriam ter sido publicadas no site da CBF com antecedência. "Os torcedores sofreram um dano com a falta de publicidade das punições", disse Lisboa.

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