Ivan Storti/Divulgação
Ivan Storti/Divulgação

Dívidas do Santos travam busca do clube por patrocínios

Processos mancham imagem do time no mercado e atrapalharam renovação de acordo que no fim do ano passado parecia estar certo

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

25 de janeiro de 2015 | 07h00

Além de motivar sete processos trabalhistas, o atraso no pagamento dos salários também comprometeu a imagem institucional do Santos, dificultando a captação de recursos financeiros. Parceiros e investidores em potencial estão com receio de associar suas marcas a um clube com sérios problemas de gestão e que parece incapaz de se equilibrar financeiramente. 

O exemplo mais claro é o da empresa chinesa de tecnologia Huawei, que estampou sua marca na camisa do clube no ano passado. A continuidade do acordo em 2015 estava praticamente confirmada em dezembro, antes que o clube completasse três meses de atraso nos salários dos jogadores e se visse sufocado pelas ações na Justiça do Trabalho. O fato de ter quitado os vencimentos de outubro e novembro não amenizou a crise de imagem. 

"O Santos está negociando o patrocínio. Ainda não está fechado", desconversou o presidente Modesto Roma Júnior. 


A assinatura do novo acordo era fundamental para o equilíbrio financeiro porque o clube planejava antecipar 40% da cota de R$ 18 milhões para se reerguer. Como plano B, a diretoria recorreu a empréstimo de R$ 4 milhões do ex-presidente Marcelo Teixeira, que é proprietário da Universidade Santa Cecília. "Modesto me confidenciou os problemas em termos de antecipação de receitas e de não conseguir buscar créditos na praça. O presidente gostaria de cumprir com dois salários e o pagamento de alguns impostos para que não tivéssemos uma avalanche de processos", afirmou o ex-presidente. 

CONTRATAÇÕES

Com esse aperto financeiro, o clube tentou se reforçar com jogadores que já passaram pela Vila, oferecendo contratos de curto prazo. Se as condições financeiras não eram as ideais, o clube tinha o passado como argumento. Renovou com Renato e trouxe Ricardo Oliveira e Elano, ressuscitando a geração de 2002/2003. Robinho foi o "fiador". 

O clube só colocou a mão no bolso para segurar Lucas Lima, destaque do time no ano passado e que tinha proposta do Torino, da Itália. Além do aumento salarial que o equiparou aos principais jogadores do elenco, a diretoria convenceu o jogador de que ele pode chegar à seleção brasileira e se transferir para um clube de primeira linha no meio do ano. 

O projeto agradou ao fundo de investimentos Doyen Sports, dono de 80% dos direitos econômicos do jogador. "A crise é grave, não está resolvida, longe disso, mas a perspectiva é boa. O horizonte está muito bom", disse Modesto Roma. 

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