Thais Magalhães/CBF
Thais Magalhães/CBF

Divisória nas mesas, luvas e sem vestiário: como a CBF preparou a Granja Comary para as seleções

Local de treinos passa por reparos para poder atender aos critérios de segurança contra o novo coronavírus

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 08h00

A seleção brasileira feminina de futebol está reunida nesta semana na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), para um período de treinos em que vai poder experimentar uma série de mudanças feitas no local pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para atender protocolos de segurança contra o novo coronavírus. A equipe da treinadora sueca Pia Sundhage terá alterações no refeitório, vestiários fechados, escolhas detalhadas na divisão dos quartos e rigor nos testes para detecção da doença.

Quem teve a chance de estrear o pacote de mudanças foi a seleção feminina sub-17, que utilizou a Granja Comary para um período de treinos entre 12 de agosto e 9 de setembro. Mas agora será a primeira vez que uma seleção principal vai se submeter ao protocolo. Caso a equipe do técnico Tite opte por usar o local, encontrará o mesmo rito de cuidados.

O objetivo é criar no local uma "bolha" de segurança para evitar o contágio. Todas as mudanças foram criadas pelo departamento médico da entidade, coordenado pelo presidente da Comissão de Médicos da CBF, Jorge Pagura, com a participação do médico da seleção feminina, Nemi Sabeh Júnior.

O elenco está com 24 atletas reunidas para uma semana de treinos. A principal mudança é no refeitório. A CBF instalou nas mesas uma divisória de acrílico, posicionada para separar um lado do outro. O material garante que as atletas podem compartilhar o espaço ao mesmo tempo sem o risco de as gotículas de saliva serem espalhadas. Ainda assim, o distanciamento estará preservado. Um atleta não poderá se sentar imediatamente na cadeira ao lado da outra. É preciso guardar um espaço de dois metros.

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É importante ter um convívio para as pessoas poderem comer e ao mesmo tempo olhar no rosto da colega e poder conversar, até porque o objetivo da semana de treinos é trabalhar com esse entrosamento
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Nemi Sabeh, Médico da seleção feminina

"É importante ter um convívio para as pessoas poderem comer e ao mesmo tempo olhar no rosto da colega e poder conversar, até porque o objetivo da semana de treinos é trabalhar com esse entrosamento", explicou o médico da seleção feminina. "Nós preparamos também a colocação de luvas descartáveis para as jogadoras poderem se servir no buffet e depois jogarem fora, por medida de segurança", afirmou.

A CBF vetou que as atletas façam refeições em outros espaços fora o refeitório. Por isso, a tradicional xícara de café antes do treino ou o petisco com frutas no vestiário está vetado. Na hora de fazer musculação na academia, o elenco é separado em pequenos grupos e cada um precisa higienizar os equipamentos. O banho só é permitido nos quartos e não no vestiário, para diminuir o risco de contágio.

Aliás, os quartos ganharam uma atenção especial. As 24 jogadores foram divididas em 12 acomodações definidas pela cidade de origem de cada. "Nós separamos as atletas de acordo com a região. Quem vem de São Paulo terá uma colega de quarto que também é de São Paulo", afirmou Sabeh Júnior. Assim, as corintianas Érika e Adriana Leal compartilham a mesma acomodação, já que convivem e são testadas regularmente pelo clube.

Por falar em testagem, as atletas realizaram exames ao se apresentarem à seleção brasileira, além de terem respondido pela internet um questionário epidemiológico. Mesmo quando quiserem relaxar fora do horário de treinos, será preciso obedecer regras. "Só se pode usar a sala de jogos da Granja Comary com horário reservado, para respeitar o distanciamento. Se forem usar o vídeogame, a mesma coisa: cada uma em um canto", comentou Sabeh Júnior.

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