Hélvio Romero/Estadão
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DNA, Mano e Diniz

Técnico tricolor teve semana desastrosa e Mano parece ter o pragmatismo nas veias

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2019 | 04h00

Trocar Luiz Felipe Scolari por Mano Menezes foi uma decisão questionável. Se o veterano treinador deixou o comando do campeão brasileiro devido aos maus resultados após a Copa América, com futebol de fraco repertório, o mais razoável parecia ser a chegada de um profissional com estilo diferente. Alguém capaz de fazer o farto elenco do Palmeiras render mais, ter a bola e saber o que fazer com ela, o que, em tese, encerraria a Era dos chutões, da ligação direta, da pelota que mal passa pelo meio de campo. 

Mas o substituto escolhido foi da mesma escola, não apenas por também ser gaúcho, mas pelo estilo. Mano Menezes é adepto do futebol pragmático, do jogo calçado na defesa poderosa e em escapadas velozes, bolas paradas, lances esporádicos que lhe proporcionem vantagem no placar. Uma variação do estilo característico de Felipão, com pouco mais de posse de bola, troca de passes, mas sem mudanças significativas. Pontua, quase sempre vence, mas com vitórias sofridas, apertadas, sem que seja visto o futebol esperado por um elenco tecnicamente bom. 

Quem olha apenas a pontuação dos times que disputam o Campeonato Brasileiro observa o Palmeiras com marcas que lhe dariam o título em outras edições do certame. Mas o Flamengo consegue um desempenho acima da média, o que vira uma espécie de muleta para justificar a fragilidade de repertório da equipe paulista. Se os rubro-negros alcançaram tal nível tão rapidamente com Jorge Jesus, por que o time de Mano Menezes não evolui? Falta algo? Ele é capaz? Consegue, mesmo, montar times que atuem de maneira diferente do que a conhecida?

As perguntas acima, que martelam a cabeça do palmeirense mais crítico e insatisfeito, retornam a cada partida. Com exceção das vitórias por ampla margem sobre CSA e São Paulo, a resposta é negativa. O treinador não consegue oferecer algo de novo. 

Diante do rival tricolor, por exemplo, soube tirar proveito do relaxamento apresentado pelo adversário, que, aberto, abriu as portas de sua própria defesa para a artilharia verde em pleno Allianz Parque, palco de outros massacres no confronto. Era o time do Mano em noite feliz, parecia o Cruzeiro nos 3 a 0 sobre o Atlético pela Copa do Brasil, única vitória do treinador em seus 20 últimos jogos pelo ex-clube.

Há quem acredite que, iniciando a temporada, fazendo a preparação e participando da montagem do elenco, Mano Menezes possa dar outro tom a um time de futebol. Era essa a expectativa e por aí se encaminhava o discurso no início do ano pelos lados cruzeirenses. Na prática, foi tudo como antes, o chamado time reativo, que recusa a posse de bola e joga mais no erro do oponente do que buscando imposição.

Acreditar que faça isso a partir de janeiro com o Palmeiras é algo que se aproxima de uma aposta, pois os sinais dados até aqui apontam em outra direção, como se viu no empate de sábado com o Corinthians. No 1 a 1 do Pacaembu, o Palmeiras teve menos posse (46%) e trocou menos passes (263 a 368). O pragmatismo do treinador gaúcho parece fazer parte de seu DNA. Que DNA quer o Palmeiras para a temporada 2020?

Semana desastrosa

Duas derrotas seguidas para seus ex-clubes, ambas em casa, para Fluminense (2 a 0 na quinta-feira) e Athletico-PR (1 a 0, ontem). Fernando Diniz teve uma semana desastrosa com o São Paulo. Mesmo com maus resultados e trocas de treinadores recentes, o Corinthians e o Internacional se aproximaram na classificação do Brasileiro. E ainda há o Grêmio na luta por vagas na Copa Libertadores. Sábado, os tricolores irão à Vila Belmiro encarar nada menos que o embalado Santos, terceiro colocado e que vem de quatro vitórias consecutivas na competição.

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