Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Do Palmeiras à CBF, Del Nero acumulou cargos em mais de 40 anos no futebol

Dirigente foi punido pelo resto da vida pela Fifa acusado por corrupção

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

27 Abril 2018 | 13h42

Banido do futebol pelo resto da sua vida pela Fifa, Marco Polo Del Nero encerra nesta sexta-feira uma trajetória de mais de quatro décadas ligado ao futebol que teve início no Palmeiras, clube do qual é torcedor. Em 1971, ele foi nomeado diretor da Comissão de Sindicância da Sociedade Esportiva Palmeiras e começou ali a sua ascensão no futebol.

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No Palestra Itália, Del Nero foi diretor jurídico, diretor de futebol e secretário do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF). Faz atualmente parte do Conselho Deliberativo do clube, mas, com a punição imposta pela Fifa, deve ser excluído do órgão.

Por indicação do Palmeiras, Del Nero passou a integrar o Tribunal de Justiça Desportiva da Federação Paulista de Futebol em 1985 e foi presidente do órgão por 14 anos, entre 1988 a 2002. Em agosto de 2003, ele assumiu a presidência da FPF depois da renúncia de Eduardo José Farah. O cartola, então, se aproximou dos clubes e se aliou à CBF. Uma das suas estratégias foi antecipar receitas e cotas de TV e, assim, minou a possibilidade de crescimento da oposição.

Após a saída de Ricardo Teixeira da CBF, em 2012, Del Nero viu o amigo José Maria Marin assumir a presidência da entidade, passou a fazer parte do centro do poder do futebol nacional e ampliou a sua área de influência. Em 2013, por exemplo, foi ele quem costurou a negociação de um mesmo patrocinador para 20 campeonatos estaduais - a CBF tem 27 federações filiadas.

Já em abril de 2014, Del Nero foi eleito presidente da CBF, mas tomou posse apenas no ano seguinte, pouco antes de um mega esquema de corrupção levar vários cartolas à prisão, inclusive Marin. Com temor de ser preso também, Del Nero não viajou mais para o exterior e passou a dedicar-se à sua defesa das acusações de recebimento de propina e suborno.

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