Diego Vara/REUTERS
Diego Vara/REUTERS

De Santos para o Flamengo: Gabigol e Bruno Henrique já marcaram 44 gols no ano

Dupla leva entrosamento da Vila Belmiro à Gávea e cai nas graças da torcida rubro-negra

Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 09h00

Se o Flamengo vive sua melhor fase no ano, deve, e muito, à dupla Gabigol e Bruno Henrique. Os ex-santistas foram os principais destaques dos confrontos com o Internacional, nas quartas de final da Libertadores. No jogo de ida, Bruno Henrique marcou os dois gols na vitória por 2 a 0 no Maracanã, e encheu o torcedor flamenguista de esperança. Mas faltava a segunda partida. No Beira-Rio, nesta quarta-feira, coube a Gabigol balançar a rede no empate por 1 a 1 e garantir o time do Rio na semifinal da competição continental.

A boa performance da dupla vem do entrosamento obtido quando defendiam o Santos, na temporada passada. O curioso é que os dois demoraram para engrenar no Flamengo depois de o clube agitar o mercado no início da temporada ao investir alto nas contratações de ambos. Na Vila, eles faziam menos barulho. Na Gávea, estouraram. No início do ano, então sob o comando do técnico Abel Braga, os dois oscilaram muito de rendimento, e até ficaram no banco algumas vezes. Hoje, é impensável ver Gabigol e Bruno Henrique fora do ataque do Fla.

O rendimento dos atacantes mudou sob o comando do técnico português Jorge Jesus. A alteração foi fundamental para que ambos subissem de produção e o Flamengo passasse por cima dos adversários tanto na Libertadores quanto no Campeonato Brasileiro -  o time lidera o Nacional. Bruno Henrique agora joga mais próximo de Gabigol, formando dupla ofensiva num 4-1-3-2. Os dois têm trocado de posições constantemente durante as disputas, de acordo com a estratégia de Jorge Jesus para confundir a marcação adversária. Tem dado muito certo. Quando não é um que brilha, é o outro.

A metade dos gols do Flamengo na temporada foi marcada pela dupla. Dos 88 gols do time neste ano, em todas as competições, os atacantes balançaram as redes 44 vezes. "Ele e o Bruno já jogam quase de olhos fechados. Tenho o privilégio de ter uma linha de frente com jogadores de muita qualidade, criatividade e velocidade. Pelo menos, vamos ter uma ou duas oportunidades de gol nos jogos. E vai ser esse o nosso caminho", elogiou o técnico Jorge Jesus. Antes de marcar contra o Inter no Beira-Rio, Gabigol perdeu duas oportunidades claras. Nem por isso, ele desanimou. Continuou tentando até marcar.

Artilheiros do Flamengo no ano

Gabigol: 26 gols 

Bruno Henrique: 18 gols

Arrascaeta: 11 gols

Vitinho: 6 gols

Diego: 4 gols

Éverton Ribeiro: 5 gols

Com capacidade, força e talento capazes de decidir qualquer partida, Gabigol e Bruno Henrique tornaram o Flamengo mais atraente aos olhos do torcedor. Os dois têm correspondido às expectativas e formam, com Arrascaeta e Éverton Ribeiro, um quarteto ofensivo de muita qualidade. Não à toa, Bruno Henrique foi premiado com a convocação para a seleção brasileira nos amistosos contra Peru em Colômbia, no mês que vem, nos Estados Unidos. Após a partida de quarta-feira contra o Internacional, o atacante fez questão de lembrar que só foi lembrado por Tite por causa do Rubro-Negro.

"Fui convocado para defender meu País, estou muito feliz. Se não fosse o Flamengo, a ajuda de todos, não estaria na seleção. Tenho de agradecer ao Flamengo primeiramente e continuar dando continuidade ao trabalho, que não pode parar por aqui. E não posso deixar subir à cabeça por ter sido convocado. Primeiramente penso no Flamengo, depois em outras coisas", disse Bruno Henrique.

Chama atenção também a identificação de ambos com a torcida do Flamengo em tão pouco tempo  Os dois já estão completamente adaptados ao clube e às maneiras do torcedor carioca. Gabigol faz pose quando marca gols. E isso o torcedor adora. A sintonia entre ambos conquistou os rubro-negros nas arquibancadas, não há dúvidas. Gabigol, por exemplo, ganhou um sósia e gosta de comemorar levantando placas feitas pelos próprios torcedores. Já teve "Festa na Favela" e "Hoje tem Gol do Gabigol". 

“Jogar no Flamengo não tem explicação. É uma coisa que só quem joga, faz parte de estar representando a nação, sabe o quanto é importante vestir essa camisa", disse Bruno Henrique depois da classificação na Libertadores. Agora a esperança da torcida é de que eles continuem brilhando juntos para que possam conduzir o Flamengo aos títulos que não foram conquistados nas temporadas anteriores. Fazia 35 anos que o Fla não chegava à semifinal de uma Libertadores.

LESÃO NO OLHO E QUASE APOSENTADORIA

Quem acompanha o sucesso de Bruno Henrique nesta temporada quase não lembra que na última temporada ele quase perdeu a visão. Na primeira partida da temporada, dia 17 de janeiro, contra o Linense, o atacante levou uma bolada no olho direito que resultou em cinco lesões diferentes

O período de recuperação foi de quase três meses e marcado por muita indefinição. Mesmo tendo escapado de um problema mais grave, como um descolamento de retina, uma mancha fez o atacante perder a noção de profundidade e criou sombras em sua visão.

O Santos chegou a liberar o jogador para se tratar com especialistas em outros países. Primeiro nos Estados Unidos e depois na Alemanha. "Em virtude da demora e incerteza para liberação do visto médico para entrada nos Estados Unidos para o atleta Bruno Henrique, optou por um Centro de Excelência em Frankfurt, na Alemanha, para consulta e exames oftalmológicos com o Professor Doutor Claus Eckardt. O atleta viaja neste final de semana, acompanhado pelo Dr. Jorge Merouço, responsável pelo Departamento Médico do Clube", disse a equipe paulista em comunicado na época.

O longo período sem atuar até mesmo fez Bruno Henrique considerar a aposentadoria precoce. "Fiquei muito tempo parado e, quando as coisas não acontecem, a gente fica ansioso. Eu pensei também em parar de jogar, porque foi muito séria a lesão, foram cinco lesões no olho, bem mais sério que todos poderiam imaginar. Para mim, foi um baque", disse em entrevista ao Fox Sports.

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