Manu Fernandez/AP Photo
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Documentário de Neymar terá visão privilegiada, dizem diretores

Para responsáveis da obra, exibir a série de forma direta foi a melhor escolha para o jogador se comunicar com o público

Flávia Guerra, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2014 | 18h21

SÃO PAULO - Quando Alice Braga e Felipe Braga tiveram a ideia de retratar Neymar não imaginavam que a empreitada culminaria com a estreia do projeto justamente no próprio canal do jogador no YouTube. Mas a interação com Neymar filho e Neymar pai foi tão natural que o projeto se tornou conjunto e os realizadores se tornaram amigos.

Mais que meros documentaristas, a dupla se tornou espécie de fiéis escudeiros do jogador do Barcelona. Quando o atacante sofreu, em janeiro, a lesão que o afastou por semanas dos campos, os diretores voaram para Barcelona e registraram momentos de angústia do jogador. Cenas a que jornalista nenhum teve acesso e que poderão agora ser vistos pelos fãs.

"A nossa ideia sempre foi mostrar quem é o Neymar dentro e fora de campo, porque sabemos que as pessoas têm essa curiosidade. Ele é tudo isso que está nos vídeos e que agora está ao alcance de todos", declarou Neymar pai sobre o projeto. Sobre a relação com o jogador, seu pai, o formato de exibição, entre outros, Alice e Felipe conversaram com o Estado.

Por que optar pelo formato de série em episódios na internet?

Alice: Porque esta é uma forma muito direta do Neymar se mostrar para seus fãs. Não só pelos olhos de redes de TV, jornais, etc. E percebemos que as coisas mais bacanas não cabiam em um longa, pois diziam respeito a pequenos detalhes, Eu, que adoro futebol, quis filmar o Neymar não porque ele é um ídolo, mas porque ele é um menino que adora jogar futebol. É genuíno. E percebemos que para isso, o formato da série, mais intimista, era o melhor. Queríamos mostrar ‘Quem é este garoto?’

Felipe: O canal em que a série vai ser exibida é do próprio Neymar. É a forma dele, que já tem sua audiência, milhares de seguidores no twitter, mostrar quem é. Sem contar que, sendo dele, as burocracias dos formatos tradicionais acaba.

ESTADÃO: Esta é uma tendência?

Alice: Sim. Já trabalhamos em convergência em Latitudes, nosso outro projeto. É um filme e também uma série em episódios, exibida no cinema, no YouTube e na TV. Tivemos 2,5 milhões de views.

Felipe: Hoje a relação do público é dinâmica. A série do Neymar abre caminho para outras, para a convergência entre futebol, conteúdo e entretenimento. Nosso projeto não tem nenhuma marca patrocinadora. Tem visão privilegiada e é totalmente nosso e dele. É especial e nos dá real domínio do conteúdo. É o diário dele. Ele fala palavrão, é espontâneo. É mesmo um ídolo possível.

ESTADÃO: Sem contar o acesso exclusivo.

Felipe: Sim. É uma diferença sutil entre ‘estou fazendo um filme sobre ou com o Neymar’.

ESTADÃO: Ao mesmo tempo, esta pode ser uma opção em que os realizadores têm de optar por não registrar momentos. Sentiram alguma espécie de restrição?

Alice: Não. Algumas vezes, sentíamos que a tensão sobre ele crescia muito. E optávamos nós mesmos a nem tirar a câmera da mochila.

Felipe: Não por uma imposição, mas por sentir que não era o momento, que eles precisavam ficar sozinhos. Em Londres, por exemplo, ficávamos horas no hotel do pai dele, com a câmera guardada. O clima começou a ficar tenso porque o Brasil estava indo bem e começou a haver uma pressão para que ele ganhasse o ouro. Uma câmera filmando a família neste momento não funcionava. Pelo menos não para nós, que não estávamos fazendo uma cobertura jornalística e tínhamos outro tempo, outra relação. Saíamos com o pai dele (Neymar estava na concentração), conversávamos, mas não filmávamos. Até que uma hora se decidiu que a família iria até a concentração para abraçar o Neymar. Então, fomos junto e filmamos tudo. E toda a espera valeu a pena. Documentar é a arte de saber também esperar e construir cumplicidade.

ESTADÃO: Como planejaram a filmagem?

Felipe: Foi aos poucos e de forma natural. Mas sempre que era possível, íamos para Santos.

Alice: Quando ele se mudou para Barcelona, ficou mais complexo. Fomos para lá em janeiro. Filmamos com ele no médico. Percebemos que a lesão mexeu com ele. Era a primeira vez que se machucava na vida. Ele estava arrasado. Foi bom poder acompanhar este momento, em que ele revelou uma força incrível também para se recuperar. Vamos para a Espanha daqui duas semanas. Os próximos passos, ainda vamos decidir.

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