Paulo Pinto/AE
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Documentos confidenciais da ABCD citam suspeitas de doping de atletas da seleção

Em posse do Ministério do Esporte, dados afirmam que sete ex-atletas do Brasil teriam feito uso de substâncias proibidas pelas agências internacionais de dopagem

Jamil Chade, em Genebra, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2017 | 16h42

Documentos confidenciais da Agência Brasileira de Controle de Doping (ABCD), sob o comando do Ministério do Esporte, citam o ex-lateral Roberto Carlos e informações de que um total de sete jogadores da seleção brasileira teriam sido tratados com substâncias proibidas pelos códigos internacionais de doping.

Os dados, coletados em 2015, fazem parte de mais de 250 páginas de informações que a ABCD repassou à promotoria de São Paulo. No dossiê, a agência colheu depoimentos de vários atletas que haviam sido pegos no controle de doping e que optaram por colaborar com as investigações. Todos citam o abastecimento de produtos proibidos por parte do médico Julio Cesar Alves e todos alegam que o profissional prestava serviços ao futebol.

No sábado, a TV alemã ARD revelou como uma rede clandestina forneceria produtos proibidos para atletas e mesmo para a elite do futebol nacional. Um dos principais elos dessa rede seria o médico Julio Cesar Alves, de Piracicaba, cidade do interior paulista. Ao conversar com o grupo alemão sem saber que falava com jornalistas, ele revelou como seus produtos abasteciam jogadores, como o consagrado ex-lateral da seleção. "Eu tratei de Roberto Carlos. Ele chegou a mim com 15 anos", disse. Procurado, o ex-jogador não deu uma resposta à emissora.

Os documentos também obtidos pela reportagem do Estado confirmam as suspeitas reveladas no documentário e novos detalhes da dimensão do suposto envolvimento do futebol com este esquema de dopagem.

No dia 11 de dezembro de 2014, a atleta Eliane Pereira declarou à ABCD em Brasília o que sabia sobre o médico. Questionada se sabia de outros atletas que frequentavam o mesmo consultório, indicou positivamente que sim. Em sua declaração oficial e confidencial, ela disse que "viu Roberto Calos na clinica em julho de 2002, na altura jogador da seleção brasileira de futebol". O Brasil havia sido pentacampeão mundial com o time nacional no dia 30 de junho, no Japão.

Numa outra declaração de 1 de junho de 2015 à ABCD, o atleta Elias Rodrigues Bastos disse que sabia como o médico também tratava de "muitos outros atletas de alto nível do atletismo, natação e futebol". "O médico vangloriou-se de que trata de mais de duzentos atletas, sendo mais de um quinto deles olímpicos e de nível mundial", disse Bastos, que também havia sido flagrado no controle de doping e optou por colaborar.

No dia seguinte, em 2 de junho de 2015, foi a vez de o atleta Silvano Lima Pinto também mencionar como o médico insistia que tratava de jogadores de futebol. Já o depoente Francisco Ivan da Silva Filho declarou à ABCD no dia 3 de junho de 2015 que o médico sob suspeita disse que tinha um total de 280 clientes. Desses, sete seriam "atletas de futebol que participaram de Copas do Mundo".

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