JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Dois anos após tragédia da Chape, famílias das vítimas ainda lutam por justiça 

Grupo ingressa com ação judicial contra o governo da Colômbia e cobra responsabilidade dos gestores do controle aéreo no país pelo acidente fatal

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2018 | 05h01

Há dois anos o mundo lamentava a tragédia com o avião da Chapecoense em que 71 dos 77 tripulantes morreram após uma pane seca, quando a delegação ia para a Colômbia disputar a decisão da Copa Sul-Americana com o Atlético Nacional. O tempo passou e as famílias ainda lutam na Justiça em busca de indenizações, sem qualquer perspectiva de quando o tormento acabará.

“Quem foi não vai mais voltar, mas vamos brigar até o fim para que, definitivamente, não acabe tudo em impunidade”, disse Mara Paiva, uma das líderes da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da Chapecoense. 

Na quarta-feira, algumas famílias ingressaram com uma ação judicial contra o governo da Colômbia. Elas cobram a responsabilidade da Aerocivil Colômbia – equivalente à ANAC no Brasil –, empresa responsável pelo controle aéreo no país. Também há processos correndo nos Estados Unidos, Brasil e Bolívia. A busca por justiça se faz por meio de direitos nas esferas civil, criminal e trabalhista envolvendo a companhia aérea LaMia, seguradoras, Chapecoense e os governos desses países. 

Quanto ao clube, há cerca de 45 famílias processando-o reivindicando direitos trabalhistas. Já aconteceram algumas audiências, mas o caso ainda está longe de ser solucionado. 

Por enquanto, as famílias receberam o seguro de vida pago pela Chapecoense e CBF (no caso dos funcionários da Chape) e pelas empresas de comunicação (jornalistas). O clube desembolsou o equivalente a dois anos de salário para cada um dos que morreram no acidente e a CBF ainda pagou mais um ano de salário, como determinava a lei. E os familiares dos jornalistas receberam valores variados, de acordo com o que foi acertado anteriormente por cada empresa e empregado.

Logo após o acidente, também foi realizado diversos eventos para doação de recursos às famílias e gerou algo em torno de R$ 40 mil para cada um. 

Acordos. Em fevereiro de 2017, a Tokio Marine, uma das seguradoras da LaMia, criou um fundo humanitário com a intenção de fazer acordos com os familiares e findar alguns dos processos contra a empresa. Na primeira negociação foi oferecido US$ 200 mil (R$ 772, 5 mil) e nenhuma família aceitou. Meses depois, em uma nova reunião, o valor subiu para US$ 250 mil (R$ 965, 6 mil) e cerca de 20 famílias aceitaram o acordo, que visava ao pagamento da quantia e, em troca, elas tinham de assinar um termo de quitação que impediria qualquer ação na Justiça contra a LaMia e a Bisa, seguradora da companhia aérea. 

O número exato de acordos e quais famílias aceitaram o valor é sigiloso, mas é sabido que a maioria continua sua busca pelas indenizações e vê uma forma de tentar amenizar a dor através da Justiça.

“A gente sabia que poderia ter sido evitado e a falta de responsabilidade do homem é que mudou a vida de tanta gente. Tivemos famílias com núcleos destruídos”, explicou Mara, que era psicóloga, mas largou a profissão para viver com Mário Sérgio um casamento que durou 26 anos e juntos tiveram três filhos. 

Ajuda. No dia 24 do mês passado, a Chapecoense e a Associação dos familiares apresentaram a Fundação Vidas, uma instituição que funcionará como um fundo financeiro para dar suporte às famílias enquanto as indenizações não saem. O foco é oferecer ajuda na área da saúde, educação (para os filhos de quem morreu), moradia e alimentação. 

A fundação procura parceiros interessados em ajudar as famílias e todo o valor arrecadado será repassado de forma igualitária para todos os parentes, em pagamentos mensais.

 

 

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