Antero Greco, O Estado de S. Paulo

13 de maio de 2015 | 03h00

O futebol brasileiro entrou com cinco representantes na Libertadores deste ano. Com uma dificuldade aqui e outra ali na fase de grupos, a turma avançou e está no páreo. Após os clássicos Cruzeiro x São Paulo e Internacional x Atlético-MG, hoje à noite, certamente dois saltarão para as quartas. O “x” da questão, a dúvida, o nó górdio, a interrogação está no Corinthians. Conseguirão Tite e seus rapazes destruir os 2 a 0 que o Guaraní paraguaio alcançou dias atrás?

Os confrontos patrícios serão animados, e neles há equilíbrio. A vantagem tricolor é pequena, na teoria, pois o Cruzeiro tem condições de superar, e bem, o 1 a 0 sofrido na semana passada no Morumbi. A diferença pode tornar-se enorme se os são-paulinos marcarem um gol, que vale mais como critério de desempate.

E é com essa possibilidade que Milton Cruz conta. A famosa situação de “jogar por uma bola”. Por isso, a opção por meio-campo forte (Denilson, Souza, Wesley, Ganso e Michel Bastos) e um (Pato) à frente. A alternativa, se for necessário, será colocar Centurión e Luís Fabiano no segundo tempo.

O Inter ficou muito perto da vaga até os instantes finais do jogo em BH, quando vencia por 2 a 1 e cedeu o empate. Em casa, os gaúchos tendem a ser agressivos e têm formação mais homogênea. O Galo aposta, e não é de agora, no poder da superação, no ritual do “Eu acredito”, entoado pela torcida. No Beira-Rio, precisará de muito mais do que um mantra mágico e para cima.

O Corinthians concentra aspectos e necessidades dos outros brasileiros - e mais um pouco -, no desafio marcado para o Itaquerão. A pisada de bola em Assunção saiu do roteiro e não estava prevista nem no pior cenário. Jogou mal, com certo desleixo, diante de um adversário tecnicamente inferior, mas com disciplina tática e entusiasmo.

Os 2 a 0 saíram baratos, pois o Corinthians correu risco de voltar para São Paulo com surra maior. Não se credite a derrota ao frango de Cássio; é ficar apenas no superficial. O episódio pesou, claro, porque abriu o placar para os paraguaios e lhes mostrou que o rival brasileiro estava longe de ser imbatível. Mas poderia ser superado, desde que o time se dispusesse a jogar como na primeira parte da Libertadores.

O Corinthians agora vai em busca do jogo impecável para compensar a apresentação nula. Não tem direito a erro - um gol sofrido vai obrigá-lo a marcar quatro. Terá de combinar à perfeição ímpeto e paciência, calcular o quanto vale a pena pressionar, empurrar o Guaraní para o próprio campo e, ao mesmo tempo, não dar espaço para o contra-ataque. Só não pode ficar no banho-maria, nem na ilusão de que basta um gol por tempo para, na pior das hipóteses, definir o destino nos pênaltis.

Tite não tem opções mágicas. A ausência de Emerson lhe tira um caminho importante. O Sheik cresce em situações como as desta noite, além de cumprir função tática de peso. A aposta, ao que tudo indica, em princípio recai sobre Malcom, como poderia Mendoza ser o escolhido.

Danilo fica como a carta na manga. O treinador corintiano admitiu que pode colocar o veterano, se houver necessidade de reforçar o ataque. Para tanto, terá de tirar Ralf e recuar Elias para a marcação. E não há muito mais o que fazer. Eis algo para Tite e dirigentes analisarem. O favoritíssimo alvinegro de um momento para outro notou que o elenco não é tão versátil assim. Noite para fortes emoções.

TRIO PARADA DURA

Guardiola e Bayern não são miragens nem fogo de palha. Técnico e time merecem respeito e mostraram valor na vitória por 3 a 2 sobre o Barcelona. Resultado, afinal, inútil e insuficiente para garantir-lhes presença na disputa do título da Champions.

A questão não está em eventuais falhas do Bayern ocorridas na semana passada ou ontem, quando o Barça chegou a virar. O tormento atende por Messi, Neymar e Suárez. Esse trio é simplesmente fabuloso. 

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