Dois tempos, duas certezas

Sempre é bom lembrar que uma partida de futebol possui dois lados, versões e explicações diferentes. Com quatro vitórias consecutivas, a Ponte Preta exigia, no mínimo, cuidado e respeito nessa pedreira em que se transformou o Campeonato Brasileiro. 

Paulo Calçade, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2015 | 03h00

O Corinthians produziu um ótimo primeiro tempo, mas de placar pequeno e perigoso diante do seu controle sobre o jogo. O gol de Jadson, aos 43 minutos, e as oportunidades perdidas, inclusive no início da segunda etapa, podem ter conduzido o líder a um certo conforto, a uma convicção de que a vitória seria confirmada cedo ou tarde.

Organização e concentração como produto do treinamento é um dos conceitos preferidos de Tite, e o técnico trabalha para replicá-los na cabeça de seus jogadores. 

Tudo caminhava bem em Campinas até a Ponte Preta despertar e mostrar o que pode acontecer quando técnica, tática e disposição física se juntam em altíssima voltagem.

A equipe de Doriva virou o jogo em três minutos, só não venceu porque resolveu cuidar de sua vantagem muito cedo, permitindo ao Corinthians respirar, jogar e empatar. 

Desta vez, os mesmos argumentos que justificam a liderança corintiana podem ter contribuído para o empate. A organização e a concentração têm na transpiração o seu combustível, inimigos da acomodação e da certeza.

A LIGA

A união de alguns dos principais clubes brasileiros em torno de competições mais organizadas, atraentes e lucrativas é uma resposta óbvia e tardia à insignificância dos primeiros meses da temporada.

 

A novidade é a Liga Sul-Minas-Rio, a realidade é a Copa do Nordeste, sucesso deste e de outros carnavais. A grande mudança em curso, porém, é outra. Não se trata apenas de troca de crachá ou de endereço. 

Timidamente os clubes começam a assumir o controle de sua atividade-fim, o futebol. Mas nem sempre foi assim, são inúmeros os exemplos de terceirização, entre iniciativas vitoriosas e fracassadas. 

A transferência de atribuições vai do campo à estrutura da competição. É quando as federações entram na história, pois perdem sua função se os times tiverem capacidade de gerir seu próprio negócio. 

Essas instituições não terão mais sentido quando a profissionalização do futebol for realidade. Isso explica o motivo de trabalharem contra os interesses de seus filiados. 

As ligas ou as copas que ainda terão de conviver com os estaduais não resolvem o calendário do futebol brasileiro. Ao contrário, é mais um problema, mas que desta vez podem trazer parte da solução. O ideal seria a criação de um Campeonato Brasileiro de verdade, diferente desta bagunça perpetrada pela CBF. Simples e caprichado.

O poder está nos clubes. Quando a maioria tiver gente interessada apenas no desenvolvimento de suas instituições, teremos um futebol tecnicamente superior e economicamente viável. Vai demorar um tempinho.

ELIMINATÓRIAS

A seleção brasileira estreia nas eliminatórias contra o Chile. O time de Dunga enfrenta o campeão da Copa América, em Santiago, na quinta-feira, mas pouca gente se ligou nisso. 

Por pior que seja a lembrança da Copa do Mundo, o confronto marca o início da próxima, na Rússia. Suspenso, Neymar fará muita falta ao time, que perdeu sua referência técnica e ficou cheio de dúvidas depois da Copa América.

Para variar, a CBF trabalhou muito mal desde os 7 a 1 da Alemanha. Até o momento, a grande sacada foi promover um encontro entre ex-treinadores da seleção.


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