Dom Paulo expõe sua paixão pelo Corinthians

A paixão pelo Corinthians é tamanha que Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo entre 1970 e 1998, é capaz até de cometer pequenas molecagens como ostentar em sua escrivaninha, durante anos, um pequeno boneco pendurado na forca com o seguinte escrito embaixo: "Cansei de esperar o Corinthians ser campeão." Foi com tal bom humor que ele apresentou nesta quarta-feira seu novo livro, o 50º, chamado ?Corintiano Graças a Deus!? (Editora Planeta, 140 páginas, R$ 29,90), cujo lançamento oficial acontece no dia 13, no Parque São Jorge.São pequenas crônicas em que o cardeal recorda momentos delicados e surpreendentes do time do seu coração. "Estou ao lado de 70 milhões de brasileiros, que confessam sua paixão pelo Corinthians", disse ele, que, aos 82 anos, mantém uma memória aguçada sobre as histórias alvinegras. Contou, por exemplo, que, quando chegou a São Paulo, em 1966, foi conduzido por um carro do clube até a igreja de Sant?Anna, na zona norte da cidade, onde atuaria como bispo. "Foi o presidente corintiano da época, Alfredo Inácio Trindade, quem providenciou a condução", diverte-se.Dom Paulo foi cuidadoso ao escrever os textos, proferindo sua paixão sem magoar os adversários. Também não cita nomes de jogadores, mesmo aqueles que considera craques. Na presença de Basílio, no entanto, autor do gol antológico que garantiu o título paulista de 1977, ele derreteu-se em elogios."O título do livro foi tirado de uma frase que o Basílio disse certa vez", comentou o cardeal, que se surpreendeu com a chegada do ex-jogador na apresentação desta quarta-feira.Dom Paulo brincou ainda com um pedido feito pelo publicitário Washington Olivetto, autor do texto da orelha do livro, em que sugere a canonização de Basílio. "Esse procedimento é normalmente feito para pessoas que já morreram e o Basílio ainda tem muito tempo para alegrar os corintianos", respondeu o religioso, aproveitando para lembrar divertidas histórias envolvendo o clube e alguns papas.Como quando pediu a Paulo VI que São Jorge, padroeiro da Inglaterra e do Corinthians, não tivesse seu título cassado em um reordenamento do calendário oficial da liturgia. "Santo Padre, nosso povo não está entendendo direito a questão. São Jorge é muito popular no Brasil, sobretudo entre a imensa torcida do Corinthians, o clube de futebol mais popular de São Paulo", disse ele. Ao ouvir o comentário do papa de que gostava de futebol, Dom Paulo percebeu que a causa estava ganha. "Não podemos prejudicar nem a Inglaterra nem o Corinthians", afirmou o papa, resolvendo a questão.Em outra ocasião, o arcebispo emérito de São Paulo preocupou-se quando descobriu que os dirigentes alvinegros atribuíam a um sapo enterrado no Parque São Jorge a responsabilidade pelo tabu que chegou a 23 anos sem títulos. Quando soube que os cartolas pretendiam chamar um pai-de-santo para livrar o time da mandinga, ele ligou para os diretores e ameaçou virar palmeirense. "Foi o bastante para me convidarem para dois jantares e ainda me pediram para benzer o campo", diverte-se.Dom Paulo conta que tinha simpatia pelo Santos de Pelé antes de descobrir o Corinthians. Gosta também do São Paulo, que teve um religioso entre os fundadores, Monsenhor Bastos. "Por isso, torci com alegria pelo São Paulo para que o Corinthians não fosse agora rebaixado."

Agencia Estado,

31 de março de 2004 | 18h27

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