Dominguez faz planos no Corinthians

O nível intelectual diferenciado de Sebastian Dominguez é evidente. É raríssimo o jogador que começou a cursar faculdade de Arquitetura. Ele tem a clara percepção de que foi comprado pelo fundo de investimento MSI por US$ 2,5 milhões para dar lucro. Assinou contrato por cinco anos mas sabe que dificilmente o cumprirá. O plano de Kia Joorabchian é revendê-lo com lucro. Mas ele faz um juramento: "Posso ficar pouco tempo por aqui. Mas estarei por inteiro. O corintiano pode contar com um jogador de corpo e alma para fazer o clube ganhar a Libertadores e realizar o maior sonho dessa torcida. Não vim fazer excursão no Brasil. Vou fazer história no Corinthians."A desenvoltura de Dominguez tem despertado a atenção de Tite. O argentino de 24 anos está até cotado a ser capitão do time. Mas não quer. Pelo menos agora. "Fui capitão em todas as categorias do Newell´s desde os cinco anos. Foram 14 anos assim. Mas já falei ao Tite que o capitão deve ser o Anderson, um jogador que nasceu no Corinthians. Eu ficaria irritado se chegasse um brasileiro e logo fosse o capitão do Newell´s." Se expressando muito bem em ´portunhol´ --- a ponto de arriscar frases em português ---, Dominguez falou com exclusividade à Agência Estado. E fez várias revelações. "Aprendi português assistindo filmes na Globo e aquele gordo, o Faustão." Agência Estado --- Você é muito diferente do Tevez que nem se arrisca ainda a dar entrevistas exclusivas. Como está sendo a convivência entre vocês?Dominguez - Eu não era seu amigo na Argentina. Não o conhecia. Mas tive uma grande surpresa aqui em São Paulo. Conheci o verdadeiro Carlitos. Não aquele personagem que a imprensa criou. Ele é um pouco mais tímido do que eu. Principalmente com os jornalistas. Mas está com uma vontade de ganhar tudo pelo Corinthians impressionante. Estamos no mesmo quarto e conheci uma pessoa humilde, mas verdadeira, maravilhosa. Vou até a morte pelo Carlitos.AE - Como você veio para o Corinthians?Tinha acabado de ser campeão argentino pelo Newell´s. Estava em Búzios de férias. Meus empresários falavam que eu iria para o Boca, River Plate ou Charlton. Mas surgiu o Corinthians com a MSI pagando mais. Aceitei. Sabia que o clube é forte, tradicional no Brasil. Achei interessante porque em 1995 havia disputado um torneio de juvenis em Santiago do Chile e troquei a camisa com um volante corintiano chamado Marquinhos. Sempre guardei com carinho a camisa corintiana. Parecia destino. Estamos formando um time fortíssimo.AE - Você é conhecido por ser jogador técnico. Nunca foi expulso. É verdade?Sim. O meu pai é treinador de garotos na Argentina e jogava como zagueiro. Ele não me suportava dando pontapés nos outros atletas. Não gostava porque pontapés é demonstração de inferioridade técnica. É dessa maneira que eu jogo. Para evitar um gol não é preciso apelar. Esse ensinamento do meu pai está muito forte em mim.AE - Qual a idéia que você tem do jogador brasileiro? Que você pode passar de bom para o Corinthians como argentino?Os brasileiros têm uma técnica melhor do que a nossa. Só que o argentino é mais objetivo. Pense no Ronaldo e no Batistuta livres dentro da área. O Ronaldo vai querer fazer o gol de maneira mais bonita, é instintivo. O Batistuta dá um bico forte. O gol vale a mesma coisa. Essa visão de objetividade e a absurda vontade que o argentino tem de ganhar: essas serão as minhas colaborações.AE - Por que você ainda não jogou pela Seleção Argentina?Porque a zaga da Seleção Argentina é o melhor setor do time. Ayala, Samuel, Heinze, Coloccini, Quiroga...Está difícil, mas sinto que ganho espaço nessa briga. Seleção Argentina é o meu maior sonho. O Corinthians pode me ajudar a realizá-lo. Ganhando tudo o que vamos disputar, inclusive, a Libertadores, as chances de convocações serão maiores.AE - Você já decidiu onde vai morar em São Paulo?Em um apartamento perto do Corinthians. Vou trazer a minha namorada Victoria. Estamos juntos há seis anos e meio. Ela acaba de terminar Medicina na Argentina. No final do ano vamos casar.AE - Muitas mulheres na apresentação dos recém-contratados disseram que você é bonito e pode se tornar o símbolo sexual do Corinthians?Não, não concordo. Quero agradar só a minha noiva. Já falei para os jogadores que o símbolo sexual aqui é o Fabrício. Ele já coloriu o cabelo. Eu posso dizer apenas uma coisa dessa história de símbolo sexual no futebol: meu amigo, a bola faz milagres. Quem é feio fica lindo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.