Abdallah Dalsh/Reuters
Abdallah Dalsh/Reuters

Dono de conglomerado que comprou amistoso da seleção é detido

Saleh Kamel faz parte do grupo de empresários na mira da Coroa saudita

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2017 | 09h46

O empresário dono do conglomerado que comprou por uma década os amistosos da seleção brasileira foi detido na Arabia Saudita, como parte de uma ofensiva generalizada do governo de Riad contra a corrupção em outros setores e por consolidar o poder da coroa saudita.

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Saleh Kamel é o presidente e fundador do Dallah al Baraka Group, controlador da ISE, a empresa que em 2006 fechou um contrato polêmico com Ricardo Teixeira e obteve os direitos em todos os amistosos da seleção. 

Não há informações se a prisão do saudita tem relação com o futebol. Kamel, com una fortuna avaliada em R$ 2 bilhões, faz parte dos mais de 200 empresários e príncipes sauditas detidos nos últimos dias, num gesto interpretado por críticos como uma manobra do governo e da coroa saudita para neutralizar qualquer tipo de oposição ao príncipe herdeiro. 

O ministério público saudita acusa esses empresários e príncipes de terem cometido crimes que poderiam envolver US$ 100 bilhões. Mas poucos detalhes foram revelados. 

Foi um dos aliados do fundador do grupo, Moheydin Kamel, quem assinou o primeiro acordo sigiloso com a CBF, de 2006, e revelado com exclusividade pelo Estado em 2013. Em 15 de novembro de 2011, esse contrato foi renovado por mais dez anos. Seu endereço: uma simples caixa postal em George Town, no paraíso fiscal das ilhas Cayman. 

Mas Mohyedin Kamel não seria apenas o gerente da ISE, e sim um dos vice-CEO da Dallah Al Baraka, empresa de Saleh Kamel. Ao longo de sua carreira, ele ocupou cargos estratégicos na empresa. 

Foi com base nesse contrato que o Ministério Publico da Espanha prendeu o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, e emitiu ordem de prisão contra Teixeira. A suspeita é de que o contrato permitia que cerca de 400 mil dólares fossem desviados aos dois dirigentes, sem que serviços legítimos fossem prestados. O dinheiro terminava em contas sigilosas em Andorra e o MP espanhol acusa tanto Rosell como Teixeira de fazer parte de uma organização criminosa transnacional. 

A empresa Pitch foi quem acabou herdando o contrato da ISE e passou a organizar os jogos da delação. 

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