Dono do Chelsea faz trem da alegria

Roman Arkadievitch Abramovitch, russo de 37 anos, designado pelo Sunday Times de domingo último como a maior fortuna britânica e vigésima segunda do mundo, um total de 11,2 bilhões de euros, desembarca em Mônaco acompanhado de 200 convidados especiais para para assistir a partida semi-final da Liga dos Campeões, entre o seu clube pago a preço de ouro, o Chelsea, e o Mônaco dos príncipes Rainier e Albert. Esse verdadeiro "tsar" russo já havia testado seu dispositivo no último sábado, quando da partida Chelsea x Everton, em Londres. Entre seus convidados especiais, 50 russos minuciosamente triados, empresários recebidos com muito luxo em Stamford Bridge. Eles chegaram em carros de luxo, Rolls Royce ou Jaguar, acompanhados de intrigantes manequins inglesas, todos muito bem vestidos, mas uma aparência no limite homens de negócios e membros da chamada máfia russa que inundam atualmente a Costa Azul. Esses novos ricos russos, desde que o presidente Wladimir Putin decidiu se interessar pela origem de suas fortunas, tem procurado transferir seus ativos para países e paraisos fiscais europeus e a praça de Londres tem sido uma das preferidas por suas facilidades. Na origem da fortuna desse jovem bilionário, Roman Abramovitch, encontram-se o petróleo, o alumínio e a farmácia. As más línguas moscovitas também atribuem sua ascensão financeira fulgurante à suas relações amorosas com uma das filhas do ex- presidente Boris Yeltsin. Hoje, Roman é o principal acionista de Sibnef, a sexta companhia de petróleo e gás do país, adquirida por 200 milhões de dólares em 1995, mas que atualmente vale 12 bilhões de dólares. Pouco a pouco, Abramovitch, temendo manter o essencial de sua fortuna na Rússia, um país onde elas se formam e desaparecem dia para a noite, procura deslocá-la para a Europa e, em parte, para a Reino Unido. Oficialmente, essas personalidades que participam da festa de Chelsea Village viajaram para Londres para participar de uma conferência organizada pelo Forum Econômico Russo. As boas relações e os interesses do grupo British Petroleum com o bilionário impediram uma investigação mais aprofundada sobre a origem do dinheiro que serviu para a compra do Chelsea, em julho do ano passado. O pragmatismo financeiro britânico prevaleceu e nenhuma investigação fiscal foi aprofundada. Apesar de suspeitas de lavagem de dinheiro e fraude fiscal, Roman Abramovitch pode comprar o Chelsea por 83 milhões de dólares, pagar as enormes dívidas do clube e adquirir quinze novos jogadores por 165 milhões de euros. Hoje, o jovem russo transformou-se num idolo da torcida e ninguém quer saber da sua origem, de suas relações com setores suspeitos em Moscou e de onde veio todo esse dinheiro. O importante é que ele dirige um clube que ganha, o Chelsea, encontrando-se às portas do paraíso, da conquista do título de campeão da Europa.

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