Kamil Zihnioglu/AP
Kamil Zihnioglu/AP

Dono do PSG sonhava com Neymar no clube fazia três anos

Nasser Al Khelaifi queria um astro jovem, bom de bola e de marketing; não demorou para chegar no nome do brasileiro

Andrei Netto, correspondente em Paris, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2017 | 07h00

A chegada triunfal de Neymar a Paris na manhã de sexta-feira começou há três anos. Esse foi o tempo entre a primeira vez em que o presidente do Paris Saint-Germain (PSG), Nasser Al Khelaifi, cogitou o projeto de tirar o astro brasileiro do Barcelona e seu desembarque no Aeroporto de Paris-Le Bourget. Mas só há duas semanas a frustração com a tentativa fracassada de 2016 se transformou em esperança. O sinal verde definitivo do craque veio na terça, 1.º de agosto.

Os bastidores da transferência histórica de Neymar, negociação cujo impacto sobre o mercado do futebol mundial ainda é imprevisível, ainda são cercados de segredos. Mas uma parte dos meandros começa a ser explicada pouco a pouco. A história passa pela obstinação de Al Khelaifi, catari e filho de pescadores que se tornou tenista, astro do esporte em seu país e, literalmente, amigo do rei – ou melhor, do emir do Catar, xeique Tamim bin Hamad al-Thani. Dirigente escolhido pelo fundo soberano do país, o Qatar Investment Authority (QIA), para dirigir o clube francês após sua aquisição, em 2011, Al Khelaifi encontrou um time europeu médio em crise esportiva e financeira. Em cinco anos, seu primeiro desafio foi devolver o PSG ao protagonismo nacional. Mas o segundo objetivo, o de colocar o clube no rol dos gigantes da Europa, precisava de uma grife do futebol. Uma primeira tentativa foi feita com Ibrahimovi?, contratado em 2012 e que deixou a equipe em 2016 com um retrospecto invejável: o de maior artilheiro da história do clube, com 156 gols.

Mas Ibra, embora tenha se tornado ídolo incontestável da torcida, atendia só a um dos requisitos fixados pela direção do PSG: o do plano esportivo. Em termos de marketing internacional, o atacante? não era estrela do calibre de Cristiano Ronaldo, Messi ou Neymar.

Em 2013, Al Khelaifi fez nova tentativa ao convencer Beckham a encerrar carreira em Paris. Desta vez a equação foi inversa: o marketing foi um sucesso, mas no plano esportivo tratava-se de uma estrela já apagada.

Ao fim do contrato de Beckham, os dirigentes do Paris Saint-Germain vasculharam o mercado atrás de um astro jovem, promissor, com potencial de se tornar o melhor do mundo, impecável do ponto de vista esportivo e estrela do marketing. Chegaram em Neymar.

“Começamos a trabalhar para assinar com Neymar há quase três anos. Eu comecei a pensar: ‘Como faremos? Como trabalhar para que ele assine?’ Durante um ano refletimos sobre como falar com ele, com o Barcelona”, contou Al Khelaifi à rede de TV BFM Sport, da França.

Os empresários brasileiros do craque entraram no circuito, e um primeiro encontro entre as partes, sem Neymar, aconteceu em abril de 2016 em São Paulo, onde o então diretor esportivo do PSG, Olivier Létang, reuniu-se com Neymar pai.

Em maio de 2016, aconteceu um segundo encontro, quando Wagner Ribeiro, agente que já havia posto Robinho no Real Madrid e que representava Neymar, levou Al Khelaifi à ilha espanhola de Ibiza para apresentá-lo ao craque do Barcelona. “A negociação começou um ano atrás. O Nasser e o Olivier foram a Ibiza para conhecer o Neymar. Eu levei o Nasser a Ibiza. Em Ibiza eles queriam pagar a cláusula de € 190 milhões”, disse Ribeiro ao Estado. Em paralelo, negociava-se a renovação de contrato com o Barcelona.

A pedida de Neymar foi elevada: que o clube pagasse os impostos do jogador, pagasse a fatura de € 45 milhões do processo perdido por evasão fiscal, viabilizasse um jato privado à disposição para deslocamentos para jogar pela seleção e, por fim, um salário de € 25 milhões por ano. O PSG ofereceu € 15 milhões. Não deu certo. Mas o cara sempre Neymar, até o caso voltar à tona na metade de julho. “Agora eu quero ir”, disse Neymar. Ele assinou seu contrato com o PSG usando uma camisa do Batman.

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