Celio Messias / Estadão
Celio Messias / Estadão

Dos 16 times do Brasileirão Feminino, dois têm treinadoras

As duas técnicas da Série A são Tatiele Silveira, na Ferroviária, atual campeã, e Patrícia Gusmão, no Grêmio

Gonçalo Junior e Leandro Silveira, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2020 | 18h31

O Campeonato Brasileiro Feminino começa neste sábado com a estreia da Ferroviária, atual campeã, contratações importantes, mais atletas com registro profissional na carteira de trabalho e maior visibilidade. Os jogos serão exibidos pela Band na TV aberta e pelo Twitter, um jogo por rodada. As demais partidas terão transmissão pela CBF TV, canal de streaming no site Mycujoo.

Por outro lado, são poucas mudanças no comando técnico dos clubes. Dos 16 clubes da elite, dois são dirigidos por mulheres. Na beira do campo, a voz de comando ainda é masculina. 

As duas técnicas da Série A do torneio são Tatiele Silveira, na Ferroviária, atual campeã brasileira, e Patrícia Gusmão, no Grêmio. No ano passado, o cenário era o mesmo, também com duas treinadoras: Emily Lima (Santos) e a mesma Tatiele no time de Araraquara. Emily agora treina a seleção feminina do Equador.

O panorama internacional é diferente. Das 24 seleções que disputaram a Copa do Mundo do ano passado, por exemplo, nove tinham uma mulher no comando. A seleção brasileira contratou uma mulher – a sueca Pia Sundhage – após o torneio. Ela foi admitida para substituir Oswaldo Alvarez, o Vadão. Antes dele, a equipe foi comandada pela própria Emily, entre 2016 e 2017. 

Patrícia Gusmão afirma que a elite feminina poderia ter mais treinadoras. “O número é baixo, mas confio no trabalho das que estão surgindo. Quem sabe no próximo ano teremos mais mulheres na elite”, diz a treinadora de 41 anos que possui a licença B da CBF. Por outro lado, a treinadora do Grêmio reconhece a contribuição masculina. “Aprendi muito com profissionais homens. Cada um tem sua contribuição. Todos podem trabalhar dentro do futebol feminino”, diz Gusmão. 

Para Ana Alice, zagueira do Grêmio, as diferenças entre homens e mulheres estão principalmente no contato diário. “O fato de nossa treinadora ser uma ex-jogadora facilita bastante nosso contato. Ela tem paciência de saber lidar com cada jogadora. Ela sabe quando não estamos bem, como cobrar e lidar com as diferentes formas de pensar de cada uma. Resumindo, as treinadoras são mais abertas ao diálogo”, opina a atleta. 

A falta de técnicas está inserida em um contexto mais amplo: existem poucas profissionais nas comissões técnicas. Nos quatro grandes de São Paulo, elas são minoria. O São Paulo possui uma mulher na equipe feminina – ela atua na assessoria de imprensa. Corinthians e Santos têm praticamente a metade do total de profissionais. 

Exceção, a Ferroviária possui oito mulheres, entre elas psicóloga, preparadora de goleiras, supervisora, roupeira e a própria técnica. O departamento tem 11 profissionais. Tatiele afirma que não é preciso ser mulher para uma boa gestão, mas é importante incluir gestoras num departamento prioritariamente feminino.

“A comissão não precisa ser 100% feminina, porque os homens também agregam seus valores, como na parte prática e a psicológica. Mas as mulheres também precisam de seu espaço”, opina a profissional de 37 anos que já completou a Licença A da CBF. “Deveria ter pelo menos 50% de mulheres para balancear as ideias, o sentimento e a maneira de lidar com o grupo”, completa. 

Carol Melo, coordenadora de futebol da Ferroviária, aposta que o futebol feminino ainda criará mais chances para as gestoras. “Um clube como a Ferroviária, que tem em seu DNA a formação, acaba abrindo as portas para que essas profissionais mostrem sua competência”, explica. “A modalidade vai abrir oportunidade para mais mulheres”, prevê. 

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