Douglas realiza sonho no São Paulo

Quem vê o volante Douglas disputar uma vaga no time titular do São Paulo dificilmente imagina que ele conhece como poucos a realidade de campos encharcados, estádios mal conservados, a situação precária do futebol brasileiro distante dos grandes centros. "Tive uma história mais sofrida", diz o jogador.Revelado no Botafogo de Ribeirão Preto, Douglas teve passagens pelo futebol pernambucano e amazonense e viu de perto a dificuldade enfrentada por quem joga futebol nas regiões Norte e Nordeste. O volante conta que no Sport suas condições de trabalho eram boas, mas bem diferentes das dos colegas que atuavam em clubes fora do Recife."Alguns dos campos em que jogávamos eram muito duros", conta. "E éramos atração sempre que íamos para o interior de Pernambuco. A cidade fazia festa." Foi nesse período que Douglas enfrentou seu momento mais difícil: fraturou o perônio e ficou quase um ano sem jogar. "Pensei em parar."Recuperado, foi para o Nacional, do Amazonas, em que o maior desafio era enfrentar o clima. "Na época das chuvas, treinávamos embaixo d?água todo o dia. Não era fácil." Segundo Douglas, o campo do Nacional era um dos melhores do Estado, mas, quando a equipe jogava fora de casa, invariavelmente enfrentava gramados encharcados e de conservação precária. "Mas o pior de trabalhar fora dos grandes centros é ficar longe da mídia. Para os jogadores de lá, atuar em um grande clube como o São Paulo é uma realidade distante."Sonho com o interior - Segundo Douglas, o sonho dos atletas amazonenses é sair do Estado e conseguir uma oportunidade em um time do interior de São Paulo. "Nem pensam em achar lugar em um grande clube." O volante diz ter visto por lá bons jogadores, que encerraram a carreira sem ter tido chance de mostrar o talento.É com a força e experiência adquiridas no contato com essa dura realidade que o jogador, destaque do Campeonato Paulista defendendo o vice-campeão Botafogo, luta para conquistar uma vaga de titular no São Paulo. No pensamento, leva a determinação de quem superou todo o tipo de dificuldade, a família, que sempre o apoiou nos momentos difíceis, e os amigos que fez na passagem pelo Norte e Nordeste. "Tenho certeza de que muitos deles torcem por mim."

Agencia Estado,

16 de junho de 2001 | 16h07

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