Doze anos depois, Felipão volta a apostar em centroavante titular para a Copa

Antes do Mundial de 2002, Ronaldo fez poucas partidas na preparação marcada por contusões

Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2014 | 19h20

SÃO PAULO - Depois de 12 anos, Luiz Felipe Scolari volta a conviver com as dúvidas em relação ao camisa 9 da seleção brasileira na Copa do Mundo. No começo de 2002, Ronaldo vivia situação parecida com a de Fred. Felipão, por sua vez, apostou no retorno do craque ao time brasileiro mesmo em um cenário de muitas contusões e poucos jogos disputados. Ronaldo era uma interrogação como é Fred hoje. Após voltar da última lesão, já em março de 2002, Ronaldo disputou apenas sete partidas até a divulgação da lista do Mundial.

O atacante sofreu grave contusão no joelho direito no dia 12 de abril de 2000. O fato ocorreu no retorno ao time da Inter de Milão após contusãono mesmo local, de novembro de 1999. A recuperação do Fenômeno durou 17 meses. No dia 19 de agosto de 2001, a menos de dez meses para a Copa do Mundo 2002, Ronaldo voltou aos gramados em um amistoso contra o Enyimba, da Nigéria. Após 34 minutos em campo, marcou um dos gols da vitória da Inter por 7 a 0.

ESTIRAMENTOS

A reestreia em partidas oficiais deu-se contra o Brasov, da Romênia, na Copa da Uefa, dia 20 de setembro. Na ocasião, o jogador entrou na partida aos 18 minutos do segundo tempo, no lugar de Adriano. Uma semana depois, contra o mesmo time, Ronaldo sofreu estiramento de sete milímetros na coxa direita. O fato deixou o jogador sem chances de ser convocado por Felipão para a partida diante do Chile, válida pelas Eliminatórias da Copa.

Recuperado de novo, Ronaldo entrou em campo dia 4 de novembro de 2001. Foi titular contra o Lecce, pelo Campeonato Italiano. Mas sentiu novamente a coxa - dessa vez, a esquerda. Em fevereiro de 2002, foi preciso vir ao Brasil para um tratamento específico, que durou quatro semanas. Sob o comando do fisioterapeuta Nilton Petroni, o Filé, Ronaldo fez um trabalho de fortalecimento muscular.

APOSTA

O novo retorno ao gramados ocorreu no dia 27 de março de 2002, no amistoso da seleção brasileira contra a Iugoslávia. O jogador saiu de campo no intervalo. Nas arquibancadas do Castelão, em Fortaleza, torcedores criticavam a presença dele no time. Uma faixa dava o tom: "A convocação de Ronaldo é tão absurda quanto o noivo casar-se sem conhecer a mulher. Tem coisas que só o dinheiro explica."

Depois, no dia 4 de abril, faltando 47 dias para a abertura do Mundial, o jogador voltou à Inter. Após 102 dias longe do time de Héctor Cúper, Ronaldo jogou 25 minutos contra o Feyenoord, na semifinal da Copa da Uefa. Na partida de volta, dia 11, jogou como titular, mas não impediu a eliminação da Internazionale.

CONVOCAÇÃO

A lista dos 23 convocados para a Copa do Mundo foi divulgada dia 6 de maio de 2002. Na segunda metade de abril, Ronaldo disputou quatro jogos pelo time italiano, todos como titular. Melhor fisicamente, fez três gols, contra Brescia (dia 14 de abril), Chievo (21) e Piacenza (28). Na última rodada do campeonato, entretanto, o atacante passou em branco. Já a Inter, líder do torneio até então, perdeu para a Lazio por 4 a 2 e deu adeus à conquista.

Ronaldo, contudo, estava recuperado. Até a estreia na Copa do Mundo, diante da Turquia, marcada para 3 de junho, o preparador físico da seleção, Paulo Paixão, realizou mais trabalhos específicos com o atacante. No Mundial, o camisa 9 disputou todas as sete partidas e marcou oito gols. Na primeira fase, fez quatro. Nas finais, balançou as redes contra Bélgica, Turquia e Alemanha. E foi, ao lado de Rivaldo, o cara da Copa, o cara do Brasil.

Felipão não diz isso com todas as letras, mas aposta no mesmo 'milagre' com Fred. O técnico da seleção vai esperar por seu centroavante até o fim, como esperou por Ronaldo.

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