Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Driblar altitude é o desafio da seleção brasileira na Bolívia

Estratégia de chegar a La Paz três horas antes do início do jogo tem o objetivo de minimizar os efeitos do ar rarefeito

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2017 | 07h01

Melhor time das Eliminatórias Sul-Americanas e garantido em primeiro lugar com antecipação, o Brasil encara uma das piores seleções do continente na quinta-feira demonstrando preocupação – não com o inoperante ataque da Bolívia, o pior da competição, mas com os possíveis efeitos da altitude de 3.600 metros de La Paz. Por isso, a comissão técnica da seleção traçou um plano específico, que inclui chegada à cidade do jogo menos de três horas antes da partida.

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Para minimizar os efeitos da altitude, a seleção terá uma logística bem diferente da habitual. A equipe viajará à Bolívia amanhã, véspera do jogo, mas ficará concentrada em Santa Cruz de la Sierra, localizada a apenas 416 metros acima do nível do mar – menos da metade dos 871 metros de Teresópolis, onde o grupo está desde ontem.

O maior temor é que os atletas sintam os efeitos do que os fisiologistas chamam de “Mal Agudo da Montanha”, sintomas comuns a todos que não estão acostumados às altas altitudes. Eles vão de dores de cabeça a náuseas, mas muitas vezes também resultam em fraqueza muscular, sangramento do nariz e até mesmo vômito.

Segundo os responsáveis pela preparação física da seleção, os efeitos começam a ser sentidos com maior intensidade a partir de seis horas após a chegada. Por isso, a comissão optou por um legítimo bate e volta.

No discurso dos jogadores, essas condições não irão interferir no desempenho. “Estou sempre pronto. Nunca joguei na altitude, mas dizem que é muito complicado. Se tiver que jogar, vou dar meu melhor, como sempre fiz”, assegurou o lateral-esquerdo Jorge.

Não haverá treino em solo boliviano. Tite fará a preleção no hotel em Santa Cruz de la Sierra na manhã de quinta. Na sequência, a equipe viaja a La Paz. A delegação chegará à capital boliviana praticamente em cima da hora do jogo.

Se por um lado evita os efeitos da altitude, por outro a viagem próxima ao horário marcado para o início da partida impede que os jogadores se habituem a diferenças técnicas de se jogar a mais de três mil metros.

O meia Arthur deixa a dificuldade em segundo plano. “Já joguei na altitude. A bola anda um pouquinho mais rápido, tem de prestar um pouco mais de atenção”, disse. “Meu pai comentou sobre o fato de eu ter sido convocado justamente para um jogo na altitude. Eu falei: ‘pai, jogo até debaixo d’água se for preciso’. Acho que a gente não vai ter muitas dificuldades.”

 

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