Dualib viaja e espera resolver crise

O presidente corintiano Alberto Dualib, o vice Nesi Curi e o empresário Renato Duprat viajaram nesta terça-feira para a Europa. Primeiro destino: Londres. O segundo: Frankfurt. E a viagem pode esticar até Tel-Aviv. Objetivo: conversar com representantes do alto escalão da MSI. O assunto: a remoção do iraniano Kia Joorabchian da gestão do clube. Pedirão que um novo executivo seja nomeado pelos investidores para o cargo.Os cartolas, que embarcaram às 18 horas em Cumbica, não temem que a parceria seja rompida - muito menos que os craques contratados a peso de ouro sejam tirados do clube. Juram ter até um parecer da Fifa garantindo a permanência dos ?galácticos? em caso de rompimento contratual, já que eles não podem ser propriedade de um fundo, mas sim de um clube. De quebra, Dualib vai tentar barrar a venda do atacante Jô para um grupo de empresários de Portugal, que pretende colocá-lo no Benfica.Na viagem não serão tratados apenas assuntos políticos e administrativos do clube, mas também questões financeiras pessoais da família Dualib. O presidente corintiano irá cobrar os US$ 2 milhões (cerca de R$ 4,8 milhões) que sua neta Carla julga ter direito por sua agência ter intermediado o patrocínio da Samsung. "Estou viajando para colocar os pingos nos ?is?. Se for para ficar pedindo dinheiro emprestado para pagar jogador, não preciso de parceiro", desabafou o dirigente.Depois de jogar todas as fichas na chegada de Kia, o presidente corintiano está querendo derrubá-lo de qualquer maneira. Dualib acionou sigilosamente os advogados do clube. Eles foram à Fifa e tiveram a confirmação de que em caso de rompimento com a MSI as estrelas contratadas por R$ 150 milhões pertenceriam ao Corinthians até o final de seus contratos.Dualib quer a continuidade da parceria, mas exige a saída de Kia. Os motivos são a exagerada autonomia do iraniano, o não cumprimento da promessa de depositar US$ 20 milhões (cerca de R$ 48 milhões) para sanear as dívidas do clube, a lentidão no repasse do dinheiro para o pagamento dos atletas, desperdício de dinheiro do fundo e a falta de pagamento de US$ 2 milhões (cerca de R$ 4, 8 milhões) à sua neta no contrato com a Samsung.Histórias até então desconhecidas dos principais investidores serão reveladas por Dualib. A mando do presidente, Renato Duprat havia acertado em 2004 a contratação de Vanderlei Luxemburgo, que pediu Robinho (cujo passe estava estipulado em US$ 8 milhões, cerca de R$ 21, 6 milhões), Cicinho (US$ 3 milhões, R$ 7,2 milhões) e Fred, pelo qual o Cruzeiro pedia, na época, apenas US$ 1 milhão, cerca de R$ 2,4 milhões.Kia insistiu em comprar Tevez de qualquer maneira. E ainda fez questão de declarar publicamente o interesse por Robinho. O presidente santista Marcelo Teixeira resolveu então aumentar o preço de sua estrela, além de se negar a vendê-la ao Corinthians.De acordo com os dirigentes corintianos, Kia não queria Luxemburgo. Exigia Daniel Passarella, apesar dos apelos de Dualib para investir no treinador campeão brasileiro. O zagueiro Sebá, do Newell?s Old Boys, teria sido ?empurrado? pelo empresário que conseguiu fechar a transação de Mascherano.Os dirigentes corintianos também contestam os valores investidos em Tevez e Mascherano. No atacante, Dualib sabia que o preço pedido pelo Boca foi de US$ 16 milhões - e não os US$ 22 milhões alegados pela MSI. Mascherano teria custado US$ 8 milhões - não os US$ 15 milhões divulgados pela MSI.O presidente teria conseguido no início do ano um acordo com o atacante Luizão. O atacante aceitaria receber R$ 2,4 milhões para jogar e esqueceria o processo contra o clube. O iraniano vetou e agora o Corinthians está com as contas bloqueadas, tendo de pagar R$ 6,5 milhões ao jogador.Kia está em Londres e a MSI não quis se pronunciar sobre as acusações.

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