Sergei Karpukhin/Reuters
Sergei Karpukhin/Reuters

Quatro ativistas que invadiram o campo na final da Copa pegam 15 dias de prisão

No segundo tempo da final entre França e Croácia, grupo conseguiu driblar a segurança e invadir o campo para manifestar contra a repressão do Kremlin

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2018 | 16h58

Quatro ativistas que invadiram o campo da final da Copa do Mundo entre França e Croácia, no último domingo, em Moscou, foram condenadas a 15 dias de prisão: Veronika Nikoulchina, Olga Pakhtoussova, Piotr Verzilov e Olga Kouratcheva. Todos também foram proibidos de voltar a entrar em eventos esportivos.

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O quarteto é ligado ao grupo Pussy Riot, que, mesmo com toda a segurança implementada para a Copa, conseguiu interromper o jogo para pedir maior liberdade de expressão e política na Rússia, diante de Vladimir Putin. Olga Kurachyova, outra ativista que entrou em campo, também foi condenada. Ela indicou que a meta do grupo também era de atacar a Fifa, por seu apoio ao governo.

"A Fifa está envolvida em jogos injustos", disse. "A Fifa é amiga de líderes que promovem repressão e violam direitos humanos", completou. Elas teriam "violado os direitos dos espectadores" e ainda são acusadas de usar de forma ilegal roupas de policiais. O restante do grupo será julgado nos próximos dias.

No segundo tempo da final entre França e Croácia, o grupo conseguiu driblar a segurança e invadir o campo para manifestar contra a repressão do Kremlin. Mbappé, estrela da Copa, chegou a fazer uma saudação com uma das integrantes do grupo, antes que elas fossem arrastadas para fora. As imagens das garotas vestidas com uniformes policiais foram cortadas pela transmissão oficial da Copa, enquanto o assunto desapareceu das agências de notícia em Moscou.

Em um vídeo divulgado nas redes sociais, elas explicaram a ação. "Tendo em vista que o estado de direito não existe na Rússia e que qualquer policial pode entrar em nossas vidas, a Copa do Mundo mostrou que os policiais sabem se comportar bem", ironizaram as mulheres, em referência ao tratamento que as forças de segurança prestaram aos turistas.

"Mas o que vai ocorrer quando a Copa acabar?", questionaram. "Só há uma solução: lutar contra a fabricação de falsas acusações e de prisões arbitrárias", apontaram.

 

 

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