Felipe Rau/Estadão
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Duas surpresas

São Paulo e Inter não estavam na lista de favoritos, mas fazem 1.º turno digno no Brasileiro

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2018 | 04h00

São Paulo e Internacional são as duas maiores surpresas da primeira parte do Brasileiro – e isto é elogio. O quê?! Você sabia?! Ah, querido leitor, não venha com conversa de que as campanhas deles não o pegaram desprevenido. Quem falar que apontava a dupla de pesos pesados como pretendente ao título está sendo garganta, ou papudo, como se dizia antigamente no Bom Retiro. Ambos largaram, nos prognósticos iniciais, como candidatos a exercer papéis de coadjuvantes; campanha digna já estaria bem.

Agora, com a 19. ª rodada a fechar esta fase, eis que estão no topo e animados a romper jejum na Série A. Os tricolores levaram a taça para casa em seis ocasiões, a última delas em 2008, após o tricampeonato inédito e jamais igualado. Os colorados brilharam nos anos 70, quando acumularam três troféus, o derradeiro em 1979, e de forma invicta, com Falcão à frente. Eita, muito tempo!

O São Paulo na liderança e o Inter em terceiro lugar, antes dos jogos de fim de semana, trata-se de boa notícia, a confirmar a imprevisibilidade da competição. Não vale dizer que o nível por aqui é baixo, que não dá para comparar com as grandes Ligas da Europa, que nos faltam craques, etc. Sabemos disso.

Porém, dentro de nossa realidade, é inegável que equilíbrio e “alternância de poder”, para usar de linguagem adequada em tempos de campanha política, ocorrem com mais facilidade nestas bandas do que na Espanha, na Alemanha, na França ou na Itália, com as figurinhas carimbadas de sempre. Apontar sete ou oito concorrentes no Brasileirão vai além de retórica ou chavão. (Bem, verdade que as equipes começam de um jeito e terminam de outro, tantas são as mudanças na temporada.)

Na largada, o quarteto de preferidos de crítica e público era formado por Cruzeiro, Flamengo, Grêmio e Palmeiras, em ordem alfabética. Dezoito rodadas mais tarde, os mineiros estão fora do G-6, com 25 pontos, enquanto os outros três estão no bloco principal. O Atlético Mineiro completa o sexteto e também merece louvor, já que recentemente perdeu jogadores importantes.

Ou seja, Fla, Grêmio e Palmeiras cumprem o papel que lhes cabe, embora se imaginasse até a possibilidade de dispararem. Por motivos vários, não o conseguiram, se bem continuem no páreo. Flamengo e Grêmio, sobretudo; o Palmeiras por ora mais voltado para a Copa do Brasil e para a Libertadores.

Mas São Paulo e Inter se superam, e como isso tempera o torneio! A turma do Morumbi passou por redefinição com a bola a rolar. Muita gente chegou a cavou espaço na equipe e conquistou confiança de Diego Aguirre. Mesmo que o treinador uruguaio seja inquieto e mexa bastante, de uma partida para outra, está claro hoje que não abre mão de Anderson Martins, Reinaldo, Nenê, Rojas, Everton e Diego Souza, a atual espinha dorsal do elenco.

A parada para o Mundial teve reflexos positivos, pois resultados e desempenho melhoraram. E com eles a autoconfiança. O São Paulo de agora acredita no título, o que significa evolução, já que nos últimos anos se conformava com roteiro pobre.

A eliminação na Copa Sul-Americana, no meio da semana, não provocou impacto negativo porque ocorreu nos pênaltis e o time venceu com valentia no tempo normal. O primeiro lugar no Brasileiro também conta como consolo para o torcedor. Como lhe resta apenas esse desafio no ano, haverá cobrança, se vier queda acentuada no segundo turno. Mas fica no ar a sensação de crescimento.

Sentimento semelhante ocorre com o Inter. Veio de trajetória razoável na Segundona de 2017, porém manteve a base e ainda se reforçou com contratações. A mais recente é a do peruano Paolo Guerrero. Como quem não quer nada, e com técnico nada badalado (Odair Hellmann), sobe pelas beiradas. E, junto com o São Paulo, torna o Brasileiro saboroso.

 

 

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