Dudu orienta Marcinho a fazer menos faltas

Olegário Tolói de Oliveira chegou ao Palmeiras em 1963, aos 24 anos. Nascido em Araraquara, havia disputado cinco bons campeonatos pela Ferroviária e já era conhecido como Dudu. Formou uma dupla histórica com Ademir da Guia, ganhando os títulos paulistas de 63, 66, 72 e 74, além dos brasileiros de 72 e 73. Encerrou a carreira em 75. E em 76, como técnico, foi campeão paulista. Entrou para a história do clube.Márcio Glad, o Marcinho, chegou ao Palmeiras em 2003, com 23 anos. Nascido em Novo Horizonte, havia jogado em equipes sem destaque como Novorizontino, Olímpia, Matonense, Guaratinguetá, Gama e Figueirense. No ano passado, veio do Figueirense e se destacou muito. Já está na história do clube, graças ao título da Segunda Divisão.Os dois cabeças-de-área se encontraram na quinta-feira à noite, na casa de Dudu. Marcinho chegou às 20h30 e, muito à vontade, deu um abraço no anfitrião. Olhou os troféus na sala e expressou toda sua admiração.Marcinho - É um prazer grande conhecer o senhor. Gostaria de ganhar tantos títulos como o senhor, mas para chegar onde o senhor chegou é muito difícil.Dudu - Não pense assim, filho. Quando você ouvir os mais velhos falando que só no tempo deles é que se jogava bem, que só naquele tempo o futebol era bom, não acredita, não. Hoje em dia, também se joga bem. Por isso, tanta gente vai para a Europa.Marcinho - Também quero ir.Dudu - É o caminho natural, mas acho que você deveria amadurecer ainda uns dois anos no Palmeiras antes de sair. Acho que você joga muito bem, marca forte e entrega direito a bola. Só acho que você faz umas faltas desnecessárias.Marcinho - Concordo com o senhor, mas estou melhorando. Nos últimos jogos, fiz menos. Eu toco e roubo, não avanço muito com a bola. Prefiro dar para um companheiro. Se ele perder lá na frente, já recuperei o fôlego para desarmar de novo.Dudu - Faz muito bem. Não vai sair driblando que pode perder a bola e armar um contra-ataque para os outros. Depois, tem de se explicar.Marcinho - Eu tenho um instinto bom de marcação. Parece que eu adivinho onde o cara vai passar a bola e me antecipo. Consigo desarmar assim.Dudu - É isso mesmo, tem de estar atento. O volante precisa ter esse instinto, esse dom. Você faz isso muito bem. Aí a conversa passa a ser sobre táticas. Dudu diz que, no seu tempo, era mais fácil jogar por dois motivos: não existia cartão amarelo e o volante precisava se preocupar apenas com o meia adversário. Por outro lado, hoje há mais gente no meio-de-campo e o volante tem mais gente para marcar. Depois, o velho ídolo conta a história de Escurinho. "Eu marcava forte mesmo, fazia de tudo que podia. Puxava a camisa, o calção, agarrava. Não tinha cartão e eu me virava. Um dia, contra o Inter, precisava marcar o Escurinho, que era um cara muito mais alto do que eu. O goleiro deles era o Manga, que chutava a bola direto para a cabeça do Escurinho. Todo mundo olhava para o alto e eu chutava o pé dele, com força. O Escurinho se agachava e eu matava no peito e saía jogando. Fiz isso umas três vezes até ele, que era muito educado, reclamar. Falou que ia acabar se machucando e pediu para eu parar. Fiquei sem jeito e mudei a marcação."Marcinho ri e diz que as coisas mudaram. "Os atacantes de hoje não são educados, não. O Basílio, do Marília, só joga com os braços abertos e acerta a gente. Me acertou um murro na boca. Eles podem tudo, mas se a gente faz alguma coisa, já leva cartão."

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