Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Duelo nas alturas: geração perigosa

Embora o favoritismo seja brasileiro, o rival da vez tem, tecnicamente, jogadores muito mais qualificados

Mauro Cezar Pereira, colunista

04 Julho 2018 | 04h00

O futebol apresentado pela seleção brasileira vem melhorando a cada partida. Mas, até agora, os adversários não foram dos mais desafiadores. Em que pese a boa atuação do organizado México de Juan Carlos Osorio, o cartel de rivais dos brasileiros no Mundial envolve quatro times já eliminados - Suíça, Costa Rica e Sérvia completam a lista.

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A Argentina, desorganizada e com péssimo futebol, não merecia ir adiante. Mas é fato que suas duas derrotas na Rússia foram para seleções ainda vivas com chances até de protagonizarem a final: Croácia e França. Sorte do Brasil que, diante de equipes mais frágeis, vence, avança e evolui. E tal crescimento será fundamental para buscar o título.

Na peleja de sexta-feira pelas oitavas, o enigmático time da Bélgica pode, aliás, deve oferecer dificuldades maiores. O sofrimento demonstrado para virar e vencer o Japão pode dar a sensação de que terá defesa exposta, presa fácil para os rapazes de Tite. Algo improvável. Os belgas esgotaram sua dose de postura blasé ante os nipônicos.

Jogando há quase dois anos com três zagueiros, o técnico espanhol Roberto Martínez tem a possibilidade, e a necessidade, de se precaver ante o poderio brasileiro. Obviamente ele sabe que Philippe Coutinho, Neymar e Willian são capazes de levar a melhor em boa parte dos confrontos “mano a mano” contra seus defensores.

 

Não será surpresa se Vertonghen for deslocado para a lateral-esquerda, posição na qual jogou várias vezes pelo Tottenham, com a formação de uma linha de quatro na retaguarda. Meunier de lateral-direito; Alderweireld e Kompany fazendo a dupla de zagueiros, completariam o setor, saindo Carrasco. O ala canhoto pode dar vez a Fellaini.

Além de aumentar o poderio belga no meio-campo, o jogador do Manchester United seria uma arma importante no jogo aéreo, como na virada sobre os japoneses. A estatura, por sinal, é um problema que Tite precisará solucionar. Sua linha defensiva não é das mais altas e os adversários deverão explorar isso.

Com a provável volta de Marcelo (1,74 m de altura) e a saída de Filipe Luís (1,82 m), o setor teria, além dele na lateral-esquerda, Fagner (1,68 m) na direita, Thiago Silva (1,83 m) e Miranda (1,84 m). Média de 1,77 m de altura. Além disso, o desfalque de Casemiro (1,85 m) reduz ainda mais a média de altura do time brasileiro. Seu substituto. Fernandinho, é nove centímetros mais baixo.

Fellaini, com 1,94 m, se junta a Lukaku (1,91 m) na área inimiga quando surge a chance de cruzar. A Bélgica tem sua badalada geração colocada em cheque, depois de fracassar em competições nas quais muito dela se esperava. De Bruyne, Hazard, Mertens, Courtois, Lukaku, Kompany e seus companheiros estão sob pressão.

Mas o time comandado por Tite tem melhor conjunto e seus jogadores capazes de desequilibrar andam mais afiados em gramados russos. A questão é o comportamento belga, algo enigmático, ante seu comportamento inexplicável frente ao Japão, após vitórias fáceis sobre Panamá e Tunísia, e um 1 a 0 na Inglaterra com 20 reservas nos dois lados.

Embora o favoritismo seja brasileiro, o rival da vez tem, tecnicamente, jogadores muito mais qualificados, algo que faltou ao bem arrumado México. Isso significa que a tendência é por um jogo mais difícil, com a defesa canarinho mais testada e os laterais exigidos como ainda não foram neste Mundial. Em especial Fagner, que terá um duelo difícil com Hazard, o maior driblador da Premier League.

*MAURO CEZAR PEREIRA É COLUNISTA DO ‘ESTADÃO’ E COMENTARISTA DA ESPN

 

 

 

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