Dunga comemora tempo livre para ajustar seleção

Satisfeito com vitória sobre o Canadá, técnico reitera pedido de comprometimento e seriedade aos jogadores

Juliano Costa - enviado especial, Jornal da Tarde

01 de junho de 2008 | 15h27

A vitória sobre o Canadá foi suada (3 a 2), mas importante para a seqüência do planejamento da seleção brasileira, na avaliação do técnico Dunga. "Quando a gente ganha, tem menos problemas", disse. Para justificar a atuação irregular contra os canadenses, Dunga lembrou que a maioria de seus jogadores acaba de terminar a temporada na Europa e vinha de pelo menos uma semana de férias, até entrar em campo no sábado à noite. Veja também: Badalado Brasil sofre para vencer o anônimo Canadá"E agora vamos ter tempo para treinar e entrosar para os jogos das Eliminatórias", disse Dunga, mantendo-se focado nas partidas contra o Paraguai, dia 15, e Argentina, dia 18. O técnico costuma se irritar facilmente nas entrevistas coletivas, mas, surpreendentemente, conseguiu manter a calma durante o bombardeio de perguntas sobre a atuação irregular do Brasil contra o Canadá. A torcida brasileira, porém, que era ampla maioria entre os 40 mil presentes no estádio de Seattle, chegou a temer pelo resultado. As estatísticas apontam que foram 11 chances de gol para o Canadá e 10 para o Brasil. E até o técnico canadense, Dale Mitchell, surpreendeu-se com a facilidade que encontrou para criar chances de gol contra o time de Dunga. "O estilo de jogo do Brasil normalmente deixa espaço para que o adversário crie oportunidades, mas nunca imaginei que teríamos tantas chances de gol", disse Mitchell. "Perdemos por 3 a 2, mas saí com a sensação de que poderíamos ter tido um resultado bem melhor, principalmente pelo que fizemos no segundo tempo." Dunga se defendeu. "Todo adversário vem muito motivado para enfrentar o Brasil. Se a gente ganha, é resultado normal. Se os caras arrancam um empate, é resultado histórico pra eles." COMPROMETIMENTOO técnico elogiou os jogadores que atenderam seu chamado para ficarem 22 dias longe de casa, servindo à seleção. E, pela enésima vez, deu uma indireta que poderia ser muito bem direcionada a Kaká e Ronaldinho Gaúcho. "Falei para os meus jogadores que, já que eles estão aqui, em período em que eram para estarem de férias com as famílias, é preciso aproveitar ao máximo esta chance, não pode perder tempo." Sobre a atuação do time, Dunga disse que "taticamente, é preciso ter mais aproximação entre defesa e ataque. O time tem de ficar mais compacto." Ele deixou em aberto a possibilidade de mudar a escalação para o jogo contra a Venezuela, sexta-feira, em Boston. Não descartou até a utilização de Robinho mais recuado, atrás de uma dupla de atacantes, como aconteceu em parte do segundo tempo, com Adriano e Alexandre Pato na frente. "É uma opção." O técnico não poupou elogios a Robinho. "Ele sempre se apresenta com entusiasmo, motivado. Ele sabe da importância que tem para o Brasil. Ele representa a alegria do futebol brasileiro."SERIEDADEDunga não assistiu ao jogo do Paraguai contra a França - empate em 0 a 0 em Toulouse, sábado. Mas disse que sabe o que é preciso fazer para ganhar dos paraguaios no Defensores Del Chaco, dia 15: parar Cabañas. "Muita gente faz gracinha, mas o Cabañas é um jogador técnico, que se posiciona bem e fez cinco gols contra times brasileiros na Libertadores. É preciso respeito." O jogo seguinte será contra a outra seleção que está à frente do Brasil nas Eliminatórias, a Argentina. Em duas partidas contra os hermanos, Dunga venceu por 3 a 0. O técnico sabe que dificilmente conseguirá repetir um resultado tão expressivo no jogo que será em Belo Horizonte, dia 18. "Foram jogos complicados esses com a Argentina e a gente fez por merecer os resultados, mas eles vão vir mordidos agora. Perder uma vez já é ruim, imagina duas! A gente tem de estar preparado, porque a Argentina vai vir muito determinada", completa o técnico.

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