Martin Contreras/EFE
Martin Contreras/EFE

Dunga desdenha de ajuda estrangeira na seleção brasileira

Treinador disse que o Brasil não pode se deixar levar por ‘modismos’

Ronald Lincoln Jr., O Estado de S. Paulo

07 de julho de 2015 | 07h00

Dunga descartou a colaboração de treinadores estrangeiros à seleção brasileira. O treinador disse que o Brasil “não pode se deixar levar por modismos” e tem de buscar soluções dentro do País. Sua rejeição aos estrangeiros ficou clara na primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Estratégico do futebol com sete ex-técnicos da seleção, nesta segunda, na sede da CBF. Foi consenso entre os participantes a necessidade de uma reforma nas categorias de base e na formação de técnicos para os clubes.

A intenção de reformar a base é inspirada no sucesso de seleções como Espanha e Alemanha. Mas Dunga, divergindo da opinião expressada por Gilmar Rinaldi (coordenador de seleções da CBF) na semana passada, não aceita. “Não podemos nos levar por modismos. Ter referências é sempre bom, mas queremos resgatar o futebol brasileiro ou copiar o europeu?”, questionou o treinador. “O mais importante é buscar soluções aqui dentro.”

A reunião contou com Mario Jorge Zagallo, Carlos Alberto Parreira, Sebastião Lazaroni, Carlos Alberto Silva, Candinho, Paulo Roberto Falcão e Ernesto Paulo, que dirigiu a seleção principal em uma única partida, em 1991, quando o Brasil perdeu do País de Gales por 1 a 0 na casa do adversário.

Luiz Felipe Scolari, Mano Menezes, Emerson Leão, Edu Coimbra e Vanderlei Luxemburgo não compareceram. O último, porém, vai participar da reunião com alguns treinadores do Campeonato Brasileiro que ainda será marcada. Para Parreira, a seleção brasileira não é responsável pelo momento ruim do futebol no Brasil - e sim o contrário. “O futebol é uma pirâmide, e precisamos pensar na base dela, que são os clubes, os técnicos, o calendário de competições. É preciso consertar a base para que a seleção melhore”, afirmou. Ele atuou como coordenador da seleção na Copa de 2014 e foi técnico em 1994 e 2006.

Gilmar Rinaldi admitiu que há carência na formação dos técnicos das categorias de base, o que tem reflexo direto na diminuição do surgimento de novos craques. “Precisamos atuar na base mesmo, aperfeiçoar mais os treinadores, melhorar o acesso ao nosso curso (de técnico)”, disse o coordenador de seleções da CBF. “A maioria dos treinadores de base ganha entre R$ 2 mil e R$ 3 mil e o curso (de formação de técnicos da CBF) custa R$ 7 mil. Por isso, precisamos custear. Está na mesa do presidente Del Nero a proposta de custear o curso de dois ou três treinadores de cada clube.”

Apesar da opinião de Dunga, técnicos de outros países que trabalham no Brasil devem participar, em breve, do conselho, mas a CBF ainda não definiu quem serão os convidados. Além dos treinadores, jornalistas esportivos, jogadores campeões do mundo e profissionais da ciência (saúde e tecnologia) participarão dos próximos encontros - cujas datas não estão definidas.

ELIMINATÓRIAS

O próximo compromisso oficial da seleção será a disputa das Eliminatórias para a Copa de 2018, na Rússia, que terão início em outubro. Dunga admite que o Brasil terá dificuldades para se classificar, mas diz que isso não é nenhuma novidade. “Vai ser complicado, mas todas as outras também foram. Em quase todas só nos classificamos na última rodada.”

Ele disse que ainda não decidiu se chamará Neymar para os amistosos de setembro ou o deixará de fora porque não poderá participar das duas primeiras rodadas das Eliminatórias por causa ds suspensão recebida na Copa América. Zagallo acha que o Brasil não terá grandes dificuldades para ir ao Mundial. “A seleção vai demonstrar a sua potência. Todos falavam que a Argentina era favorita na Copa América, mas o Chile ganhou. O Brasil não está abaixo de nenhum deles."

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