Dunga escala time experiente para enfrentar a Irlanda

Técnico da seleção brasileira entra em campo com apenas um jogador em idade olímpica, o meia Diego

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2008 | 19h56

Se o objetivo do Brasil era usar o jogo contra a Irlanda para iniciar a preparação para os Jogos Olímpicos de Pequim, tudo indica que será uma oportunidade perdida. O técnico Dunga vai colocar em campo nesta quarta-feira, às 17h45 (de Brasília), um time que contará com apenas um jogador em idade olímpica, o meia Diego, do Werder Bremen. A partida é contra um time sem técnico e, até Pequim, a seleção tem, por enquanto, apenas mais três jogos marcados. Veja também: Bobô foge de entrevistas, mas diz que evoluiu na Turquia Técnico Dunga chega e comanda treino do Brasil em Dublin Gilberto Silva prevê confronto difícil com Irlanda Investidores sauditas dão as cartas para amistosos da seleção Estádio de Dublin receberá apenas seu quinto jogo de futebol Dos 22 convocados para o jogo, 11 têm idade para ir a Pequim. Mas, no coletivo desta terça que definiu o time titular para o amistoso, Dunga montou um time conservador e sem os jovens. O técnico explicou que, com apenas 40 minutos de treino para preparar a seleção, optou por jogar com aqueles que estivessem mais entrosados, os mais experientes e que se conhecem. "Optamos por aqueles que já jogaram juntos e recuperar o entrosamento. Tem time que precisa de seis meses para se acertar, imagine se isso é possível fazer em 40 minutos", alegou. O coletivo foi filmado e Dunga tentaria corrigir durante a noite desta terça a posição de cada jogador mostrando o vídeo do treinamento. Além do pouco tempo para treinar, Dunga também alegou que está sem vários de seus principais jogadores, como Kaká, Maicon, Lúcio e Juan. Mas deixou claro que o resultado da partida, mesmo assim, é importante. "Não vencemos as últimas duas partidas contra a Irlanda", disse - em 1987, ele estava no banco na derrota por 1 a 0; em 2004, houve empate sem gols sob o comando de Carlos Alberto Parreira. Dunga não nega, contudo, que poderá, durante a partida, fazer substituições para incluir os jogadores com idade olímpica. "Quero observar o maior número de jogadores possível. Mas isso dependerá do jogo", explicou. O técnico admite que, se Kaká e outros titulares estivessem jogando, teria maiores possibilidades de ousar e experimentar os novatos. Ele acha, no entanto, que a convocação dos mais jovens serve para "quebrar o gelo" na seleção, mesmo que não joguem. "A convocação é importante para a convivência na seleção e para ver como é a cobrança", disse o técnico, que promoverá a estréia de Leonardo Moura e Richarlyson na seleção, colocando no banco Marcelo, que tem idade olímpica. Dunga alegou que já conhece como atua Marcelo e que, portanto, aproveitaria a oportunidade para observar mais um jogador. "O futebol irlandês é de bolas na área e Richarlyson tem boa impulsão. Estamos em busca de uma equipe para a Olimpíada e Marcelo já mostrou suas qualidades", explicou. Já sobre a ausência de Pato, Dunga deixou claro que o jogador "perdeu uma oportunidade" e que agora terá de esperar uma nova ocasião para observá-lo. Entre os 'velhinhos', Luís Fabiano entra como titular depois dos dois gols contra o Uruguai, na vitória por 2 a 1 pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, em novembro, no Morumbi. O jogador do Sevilla garante que é "o parceiro ideal de Robinho" no ataque da seleção. "Nos complementamos muito bem", disse. Durante o coletivo desta terça, não fizeram uma só jogada. Liberação Nesta terça, praticamente todos os jogadores confirmavam que a CBF terá um sério problema pela frente: a liberação dos jogadores para disputar a Olimpíada de Pequim. Robinho não esconde que está ansioso para ser selecionado para ir para os Jogos. "Esse é um de meus objetivos neste ano", disse. Mas alerta que sua liberação junto ao Real Madrid poderá ser problemática. "Se já foi complicado na Copa América, imagine para a Olimpíada", disse. O goleiro Júlio César, que não disputou a Copa América, é outro que espera ser convocado para uma das vagas acima de 23 anos, mas também não garante que a Inter de Milão vai liberá-lo. Dunga parece ser o único que acredita que isso não será um problema. "Não estou preocupado com isso. Respeitamos sempre as regras da Fifa, que é quem manda no futebol. O que determinarem vamos cumprir", disse. Diante de tantos problemas, Dunga minimizou o único título que o Brasil não conquistou - a medalha de ouro olímpica. "É mais uma competição. O Brasil é cinco vezes campeão do mundo e entramos em todas as competições para vencer", disse.

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