Tim Ireland/AP
Tim Ireland/AP

Dunga pede maior controle emocional para a seleção brasileira

Treinador exige equilíbrio dos atletas contra eventuais provocações

Almir Leite, enviado especial a Santiago, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2015 | 07h00

Na batalha das Eliminatórias, equilíbrio emocional vai ser fundamental. Esse é um aspecto que o técnico Dunga e os demais integrantes da comissão técnica da seleção brasileira procuram enfatizar com os jogadores. As provocações, a catimba e mesmo possível complacência da arbitragem com o antijogo e a violência preocupam e por isso há grande esforço para tentar fazer com que os jogadores não se deixem levar por tais adversidades.

Para buscar esse controle, o treinador acabou por acrescentar vários jogadores experientes ao grupo que dará a largada nas Eliminatórias,  enfrentando o Chile amanhã em Santiago e a Venezuela terça-feira em Fortaleza  - como os "trintões" Miranda, Daniel Alves, Kaká, Luiz Gustavo, Ricardo Oliveira, Filipe Luís, Elias e Fernandinho.  E espera uma "resposta positiva"  em campo.

"Vai ser uma competição muito difícil e precisa ter cuidado para não perder a cabeça", disse ontem o zagueiro David Luiz, parecendo ter assimilado os ensinamentos e o conselho da comissão técnica. 

O atacante Ricardo Oliveira, de 35 anos e mais velho integrante do grupo atual, acredita que o equilíbrio não será problema "É um tipo de competição completamente diferente de todas as outras", disse sobre as Eliminatórias, que disputou para a Copa de 2006. "Mas sabemos disso e ninguém vai ser surpreendido com campo, atmosfera, ambiente. Está todo mundo bastante consciente disso."

Dunga, aliás, tem no controle emocional critério forte no momento de decidir as convocações - prefere até jogador mais "centrado" do que talentoso. Recentemente, ao falar da não inclusão de Alexandre Pato no grupo que enfrentará chilenos e venezuelanos,  acabou por admitir que o aspecto emocional jogou contra o são-paulino.

O treinador lembrou que o então técnico do São Paulo, Juan Carlos Osorio, revelou que Pato se abateu e chegou a chorar por não ter sido convocado, e que o abatimento o fez cair de rendimento. E decretou: "Nós falamos que na seleção precisamos de jogadores preparados psicologicamente".

O afastamento do zagueiro Thiago Silva, que desde a Copa se descontrolou em várias ocasiões, também é apontado como sinal de que Dunga opta por jogadores que consigam  manter o equilíbrio diante da pressão e do estresse.

Essa preparação emocional dos jogadores é algo que Dunga persegue desde que reassumiu a seleção, logo depois de uma Copa do Mundo em que o desequilíbrio de vários atletas contribuiu de maneira importante para o fracasso brasileiro.  Logo em sua primeira entrevista, ele deixou claro isso. "Brasil sempre vai ter grandes jogadores, mas temos que aprender a ter o equilíbrio emocional, fazer as coisas no momento certo", disse na ocasião.

Pelo menos na Copa América realizada em junho e julho Chile, o controle esteve longe da seleção. Os jogadores demonstraram nervosismo e se irritaram facilmente. Contra a Colômbia, a situação extrapolou: o líder do time, Neymar, que já havia reclamado bastante do juiz no jogo contra o Peru, se descontrolou ao ponto de brigar com adversários e se desentender até com o árbitro chileno Enrique Osses, confusão que lhe valeu as quatro partidas de suspensão que o tiraram dos jogos iniciais das Eliminatórias.

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