Dunga troca carranca pelo sorriso discreto na seleção brasileira

Na sua primeira semana no comando, treinador tenta apagar fama de ranzinza e passa imagem de gentil com os fãs, imprensa e atletas

Gonçalo Junior - Enivado especial a Nova Jersey, O Estado de S. Paulo

07 Setembro 2014 | 07h00

 A torcedora brasileira fez a pergunta com medo. Já estava preparada para receber um "não" e por isso nem esticou o braço com a câmera. Esperou. O seu sorriso se abriu, mais de surpresa do que de satisfação, quando recebeu outra pergunta como resposta ao seu pedido. "Só uma?".

Quem disse o simpático "só uma" foi o técnico Dunga, que até sorriu na hora do clique. Foi o jeito Dunga de sorrir só com o canto dos lábios, mas foi um bom começo. Acenou com a cabeça e deixou o hotel Mandarim Miami em direção ao ônibus para comandar seu primeiro treinamento de sua segunda passagem pela seleção brasileira. Esse Dunga de agora não é o mesmo de antes.

A cena, embora banal e corriqueira, é emblemática no caso de Dunga. Ele tem se esforçado bastante para apagar a impressão de ranzinza, mau humorado, brigão e durão da primeira passagem pela seleção. Na primeira semana em Miami, ele passou no teste de simpatia. Teve poucas recaídas autoritárias.

Mas com Dunga é melhor ir com calma, recomendam os funcionários mais antigos da CBF, que acompanharam as 60 partidas do primeiro ciclo. Dizem que é melhor esperar até a Copa América, a primeira competição oficial da seleção, no mês de junho do ano que vem.

Por enquanto, é tudo lua de mel, foi essa a expressão que um dos jogadores utilizou. "Estamos conhecendo os jogadores e eles devem ficar à vontade", afirmou o próprio treinador. "Ele está mais experiente. Acho que ele sofreu muito com a derrota na Copa de 2010 e isso deixa a pessoa diferente", avalia o lateral-esquerdo Filipe Luís.

Esse tom diplomático se estende também à comissão técnica. Nos treinos, ele conversa muito com o auxiliar Andrey Lopes, seu braço direito, e também com Mauro Silva, assistente para os dois primeiros amistosos, como se estivesse trocando figurinhas. Ele fala e ouve. Volta e meia, gosta de bater bola com os dois, mostrando descontração. Ri da própria ferrugem quando a bola cai.

Quando escolheu Neymar como novo capitão, fez questão de dar a notícia ao craque do Barcelona ao lado do coordenador de seleções, Gilmar Rinaldi. Decisão conjunta.

A relação com a imprensa, o calcanhar de aquiles de sua primeira passagem, quando chegou a dizer palavrões na sala de conferência para um jornalista da Rede Globo, tem sido cordial e respeitosa. Não há grandes demonstrações de carinho, mas ele não dá patadas como fazia em 2010. Ele só encrencou com as entrevistas individuais. Não proibiu, mas nem jogadores nem a comissão técnica tiveram tête-à-tête com os jornalistas. O mesmo se aplica ao uso das redes sociais. Ele não vetou, mas apenas seis dos 21 jogadores postaram fotos na rede. Sua fama já está feita.

PAIZÃO

A estilista Gabriela Verri, filha do técnico da seleção brasileira, estranha quando as pessoas falam em mudança de comportamento do pai. "Em casa, meu pai sempre foi muito brincalhão e sempre procurou unir a família em torno dele. Sempre que ele está em Porto Alegre, a gente se reúne. Somos muito unidos", disse ao Estado.

Dunga foi maior incentivador do negócio de Gabriela, que inclui uma linha de roupas femininas e vestidos sob medida. "Ele estará no lançamento da minha coleção de verão", diz. Provavelmente só os resultados da seleção vão definir o quanto vai durar o verão de Dunga na seleção brasileira. 

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