Jonne Roriz/AE
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Dunga xinga árbitro e jornalista após vitória contra a Costa do Marfim

Sistema de som da sala de imprensa reproduz xingamentos do treinador a um jornalista da Rede Globo

Luiz Antônio Prósperi, do Jornal da Tarde

20 Junho 2010 | 22h51

JOHANNESBURGO - Dunga saiu do campo chutando a grama e gritando contra o árbitro francês Stephane Lannoy. Não engoliu a expulsão de Kaká nem os pontapés que seus jogadores levaram dos africanos da Costa do Marfim. Desde os primeiros instantes do jogo, ele não conseguiu disfarçar sua irritação com o juiz. Xingou até a quarta geração de Lannoy. Pouco mais de 15 minutos após a partida, aparentemente sereno, o treinador atribuiu a vitória (3 a 1) à maturidade dos jogadores, que não revidaram as pancadas, e ao futebol arte do seu time.

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Quando entrou na sala de entrevistas do Soccer City, diante de cerca de 200 jornalistas brasileiros e estrangeiros, Dunga tinha um sorriso sarcástico. Ele acabava de classificar o Brasil às oitavas de final da Copa. Não havia motivos para ser bombardeado. E mesmo assim se irritou com alguns jornalistas. Antes da entrevista, deu uma abraço em Cafu, capitão do penta, que passou pela sala só para dar parabéns ao treinador e a Luís Fabiano.

 

Antes de se indispor com um repórter da TV Globo, Dunga disse que a partida foi muito difícil, não só pelo estilo do adversário, mas também pela complacência do árbitro aos pontapés dos marfinenses.

 

"O jogo foi muito complicado, atlético, de muita força física, de muitas faltas. Todos nós que gostamos do futebol não podemos aceitar o que aconteceu hoje (domingo). Pessoas que têm a missão controlar espetáculo tem de saber o que é futebol e o que não é. Difícil jogar futebol arte como pedem, se o árbitro deixar passar o que deixou passar hoje."

 

Após a resposta, Dunga olhou para Alex Escobar, da Globo, que estava na sala e disse assim: "Algum problema?" Escobar respondeu: "Nenhum, Dunga. Eu nem estava olhando para você."

 

Em seguida, um jornalista brasileiro pediu a avaliação do treinador sobre o desempenho de Luís Fabiano. Antes de responder, Dunga continuou olhando para Escobar e murmurando palavrões. Depois falou do artilheiro da noite. "Todos os jogadores da seleção confiam no Luís. E ele sempre deu a resposta aqui na seleção. Vinha de uma lesão, cinco jogos sem marcar um gol. Havia muita cobrança dele próprio e de vocês (imprensa). Os gols foram importantes para acabar com essa ansiedade. A gente sabia que o seu momento ia chegar", respondeu e voltou a olhar para Escobar. De novo murmurando para sua fala não sair no microfone, xingou o repórter da Globo.

 

Então perguntaram sobre Kaká, se ele concordava com a expulsão. Mais um bom momento para espetar Lannoy, o juiz francês. "A expulsão do Kaká foi totalmente injusta. O cara sofre a falta e ainda é punido. Essa arbitragem seria boa para mim quando jogava, ia fazer faltas à vontade e não ia levar o cartão. Fizemos três gols e levamos mais cartões que o adversário. Fica a dúvida: o que temos de fazer para jogar futebol?"

 

E o Kaká? "Ele vinha bem, faltava ganhar confiança. Essa parada (pela expulsão), que vai ser curta entre um jogo (Portugal) e o outro (pelas oitavas de final), vai acabar ficando boa para o Kaká se recuperar ainda mais."

 

Quase ao final entrevista perguntaram ao treinador se daria folga aos jogadores hoje. "Não adianta dar tempo livre aos jogadores porque vocês (jornalistas) vão atrás deles. Então é melhor ficar relaxado lá no hotel. Assim teremos mais tempo lapidar o que cada um precisa".

 

Antes de deixar a sala, o técnico disse assim a um funcionário da Globo: "É preciso ser homem, olho no olho e não m... nas calças.". Dunga estava feliz.

 

 

 

 

 

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