Felipe Rau/Estadão
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Sequência dura

O Palmeiras tem superado com garbo testes difíceis. Agora, vêm três decisivos

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2018 | 04h00

Desde o final de setembro, o Palmeiras topa com agenda repleta de desafios, em três frentes. Quebrou a cara na Copa do Brasil, ao ser eliminado na semifinal pelo Cruzeiro, mas levantou voo na Libertadores e no Brasileiro. Nestas duas competições, depende apenas de si para chegar ao título. Porém, o futuro brilhante depende do que fizer em três clássicos no espaço de uma semana, desta quarta-feira até o dia 31. Depara-se com o momento em que não lhe serão permitidos vacilos.

A sequência de testes de resistência, autocontrole, eficiência e qualidade de Felipão e seus rapazes começa em La Bombonera. No mítico estádio do Boca Juniors, a turma verde terá nova oportunidade de mostrar que não atingiu por acaso a penúltima etapa do campeonato continental. Está nesse estágio por méritos, e sem polêmicas.

A equipe palmeirense é a única a ter vencido os cinco jogos como visitante, na edição deste ano, incluído aquele com os argentinos na fase de grupos. Na época, ainda era dirigida por Roger Machado. Além disso, ganhou outros três em casa, empatou um (com o Boca, 1 a 1) e perdeu só para o Cerro Porteño (1 a 0), porque jogou o tempo inteiro com dez, em consequência da expulsão de Felipe Melo com pouco mais de três de minutos de bola rolando. 

Com exceção da partida com os paraguaios, o Palmeiras não passou sufoco, correu poucos riscos e transmitiu segurança. Vá lá que não seja pródigo em espetáculos, tampouco está longe de limitar-se a esperar que o adversário o cutuque para em seguida ir adiante. Não se trata de “time reativo”, para ficar em modismo do futebolês atual.

Em alguns momentos recorre a tal expediente, como faz todo time mundo afora, de Manchester City a Real Madrid, de Boca Juniors a Juventus. Isso é parte da estratégia do esporte e não se pode confundir com antijogo. O mais comum é ter controle da situação, iludir o rival com falso domínio. Aí mora um dos segredos para a superação e se torna evidente o trabalho do treinador. 

Felipão ainda não ganhou nada em seu retorno da aventura na China, é verdade; o time pode ficar sem Libertadores e sem o Nacional. No entanto, seria injusto não lhe dar crédito pela situação em que o Palmeiras se encontra. O técnico do pentacampeonato mundial e dos 1 a 7 tem manejado o elenco com sabedoria. Montou formação A (para Copas) e B (para a Série A). Agora, fundiu as duas e tira a C da cartola. 

Dessa maneira, suavizou desgaste na trupe e, mais importante, manteve todo mundo em alerta, em atividade e sem se sentir diminuído. Percepção que faltou para Eduardo Baptista, Cuca, Alberto Valentim e Roger Machado.

A mescla deve confirmar-se esta noite, se mantiver a tendência de escalar a dupla de zaga Luan e Gustavo Gómez, até então utilizada no Brasileiro e que está melhor do que Antônio Carlos e Edu Dracena. No mais, deve recorrer aos que têm jogado e/ou estão em condições de entrar em campo. Essa é situação em que o Palmeiras pode ser “reativo”, ou seja, ficar à espreita do que fará o Boca.

Tem grandeza para suportar, e acima de tudo é necessária precisão máxima na mínima chance que se apresentar para finalizar em gol. Em linguagem simples: importa é voltar “vivo”, em condições de garantir-se sem imaginar cenário dramático na quarta-feira. 

Pode enfim aplicar a receita da Libertadores e do Brasileiro, em que predominam regularidade e equilíbrio. Características que se refletem no retrospecto. No caso da corrida doméstica, são 15 rodadas de invencibilidade, o maior número de vitórias (18), o menor de derrotas (4), melhor defesa (19, ao lado do Grêmio), segundo ataque (47, como o Atlético-MG, contra 48 do Fla). Não é sorte, não é casuísmo; é competência. Que estará sob crivo no sábado à tarde, no Rio, contra o Fla. Empate ou vitória o deixará com a mão na taça.

 

 

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