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Dúvida cruel

O equilíbrio marca os confrontos em Itaquera e no Mineirão

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2018 | 07h11

Sempre que possível, dou uma caminhada antes de batucar a crônica para o jornal. Espécie de ritual - entendo que, além de fazer bem ao corpo, uma circulada pelas ruas clareia as ideias. Forma também de ter contato com as pessoas, e não são raras que tiram o olho do celular e param pra falar de futebol.

Não foi diferente na véspera de dois clássicos de peso nas semifinais da Copa do Brasil. Corintianos animados, sobretudo depois de ver um mundão de gente no treino de ontem à tarde, querem saber se dá para chegar à decisão. Palestrinos empolgados com a campanha no Brasileiro apostam em reviravolta diante do Cruzeiro. Dois rubro-negros, perto do metrô Vila Madalena, nem quiseram minha opinião e cravaram que o Flamengo vai à final e leva o título. 

Minha resposta, que não é padrão, fica num sucinto “não sei quem passa”. Longe de consolidar “muro”, representa apenas bom senso e constatação do óbvio: o equilíbrio marca os confrontos em Itaquera e no Mineirão. O empate por 0 a 0 no Maracanã deixa aberto o tira-teimas entre corintianos e flamenguistas; a vitória por 1 a 0 no Allianz Parque tem peso importante, porém não garante a vaga cruzeirense.

Tome-se, primeiro, o “jogo das multidões”. Fosse um tempo atrás, não haveria dúvida em apontar o Flamengo como favorito. Elenco melhor e mais variado, embalado com bons resultados e com a liderança no Brasileiro. Veio a turbulência, e com ela a eliminação na Libertadores, a queda para o quarto lugar na Série A (mas ainda na briga). Nos últimos dez jogos, em três frentes, foram 4 vitórias, 3 derrotas e 3 empates. Voltaram as cobranças a jogadores e a pressão sobre o técnico Barbieri. Ou seja, uma equipe instável.

O Corinthians não mostra trajetória muito diversa. Se o recorte limitar-se apenas às dez apresentações mais recentes, há 4 derrotas, 3 vitórias e 3 empates - e, nesse ínterim, caiu fora da Libertadores e mandou o técnico Osmar Loss dar “uma reciclada na Europa”. No lugar dele, chamou Jair Ventura, que devagar apruma a casa. 

A opção alvinegra voltou a ser a de fechar-se, como alternativa para estancar a sangria de resultados negativos. Isso inclui reforço no meio-campo. O calcanhar de aquiles continua no ataque, que não superou a ausência de Jô (saiu no início do ano) e sente o baque da baixa causada por Rodriguinho. O Corinthians tem mais a perder, caso não siga adiante, pois neste Brasileiro só lhe resta o papel de figurante.

A missão alviverde, em Belo Horizonte, é um tanto inglória, embora não impossível. O escorregão na ida lhe pesa sobre os ombros, em situação semelhante à de 2017, quando empatou no sufoco por 3 a 3 no antigo Palestra Itália, ficou no 1 a 1 em Minas e foi desclassificado porque valia o critério de gols marcados fora de casa. Agora, tem de ganhar ao menos por um de diferença para levar a decisão para os pênaltis.

A turma de Felipão conta a favor com a qualidade e com a variedade do grupo; o treinador tem rodado o elenco com muita eficiência e inteligência. Mesmo com viagens frequentes nos últimos dias - Salvador, Santiago, Recife, BH -, não há esgotamento, por causa das mudanças constantes na escalação. Além disso, toma poucos gols. Contra: o Cruzeiro firme no sistema defensivo, letal nos contragolpes. 

O risco palmeirense de sair da raia na Copa do Brasil existe, e não é pequeno. Em contrapartida, crescem as chances no Brasileiro. Por se tratar de torneio de regularidade, a subida (vice-líder) é notável. O Cruzeiro jogou a toalha no Nacional e está enrascado na Libertadores. 

Contradição

Marta pela sexta vez eleita melhor jogadora do mundo. O talento e o prestígio dela são inversamente proporcionais à atenção e ao respeito ao futebol feminino no País.

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