Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

VAR no futebol: 10 perguntas e respostas sobre a tecnologia

Auxílio do árbitro de vídeo é novidade no futebol brasileiro e tenta diminuir dúvidas sobre os lances capitais

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

02 de abril de 2019 | 16h16

O início da utilização do árbitro de vídeo (VAR) nos Campeonatos Estaduais gerou polêmica e deixou alguns torcedores com dúvidas. Só no último fim de semana, a tecnologia cancelou a marcação de um pênalti a favor do Palmeiras contra o São Paulo, no Morumbi, além de ter anulado dois gols e determinado a expulsão de um jogador do Atlético-MG, em Varginha.

Por isso, o Estado avaliou as 67 páginas da cartilha de utilização do VAR produzida pelo Conselho da Federação Internacional de Futebol (Ifab, na sigla em inglês). O documento norteia a aplicação da tecnologia no futebol e, inclusive, serve para organizar as ações nos campeonatos disputados no Brasil.

Qual o princípio do VAR?

A Ifab recomenda que os árbitros sejam norteados principalmente não pela pergunta "A decisão estava correta?", mas sim que tenham como prioridade a questão: "A decisão estava claramente errada?". 

Em quais ocasiões o VAR pode ser utilizado?

Há apenas quatro tipos de lances: sobre foi gol ou não, se houve pênalti, erro de identificação para aplicar um cartão e se a jogada foi ou não para vermelo direto. Neste último caso, houve um exemplo no último sábado. José Welison, do Atlético-MG, foi expulso contra o Boa, pelo Campeonato Mineiro, após a jogada inicialmente nem ter sido considerada faltosa.

Há tempo máximo de espera para analisar a decisão?

Não. "Acerto é mais importante do que velocidade", diz a cartilha da Ifab. O texto recomenda que a arbitragem analise o lance em câmera lenta e que a a resposta venha o mais rápido possível, mas com eficiência.

Quem toma a decisão final?

É o árbitro. Depende dele tanto a decisão para se iniciar a revisão do vídeo, como a escolha pelo lance depois de avaliado pelo vídeo e após as conversas com os assistentes.

Sobre o pênalti, em quais ocasiões pode ser consultado?

Cobrança marcada de forma equivocada, infração não marcada, dúvida sobre se foi ou não dentro da área, falta de ataque antes do possível lance de pênalti, saída de bola antes da ação duvidosa.

O árbitro é obrigado a se dirigir ao monitor localizado no gramado para analisar o lance?

Não. Ele pode apenas confiar na informação recebida pelo rádio. Um exemplo disso foi nas quartas de final entre São Paulo e Ituano, no Morumbi. O árbitro José Cláudio Rocha Filho ouviu dos auxiliares que não foi pênalti no são-paulino Everton Felipe e não assinalou a infração mesmo sem ter analisado as imagens.

Qual a principal dúvida que deve ser sanada na consulta de vídeo?

A cartilha trata de lances subjetivos e de interpretação. Como exemplos desse tipo de dúvida, o texto cita sanar questionamentos sobre o ponto de contato de faltas ou toque de mão, velocidade e intensidade de infrações ou determinar se a mão foi utilizada de forma deliberada.

E o que fazer se o VAR falhar e não puder ser utilizado?

O jogo continuará normalmente. Os operadores do sistema terão de procurar soluções imediatas, enquanto o árbitro terá de ser avisado da situação e repassar essa informação aos times. Caso o problema seja resolvido durante a partida, os jogadores terão de ser novamente avisados sobre a correção da falha.

É possível arrumar um lance passado?

Não. Assim que a bola for recolocada em jogo, não é possível consultar novamente o VAR ou tentar compensar a possível infração com uma nova decisão. A decisão com base na tecnologia é definitiva.

A regra prevê a divulgação das conversas entre os árbitros?

Não. O texto não trata dessa possibilidade. A regra determina que as conversas sejam gravadas pela segurança de quem trabalha no sistema, para a produção de material educativo e para se ter exemplos futuros para analisar. Quem estiver na sala de operação não poderá portar o celular.

 

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