E as polêmicas persistem...

O Brasileiro está contaminado pelo clima árido e incerto do próprio País. Há uma semana que se discute pouco futebol e se fala à exaustão na existência de “esquema” para favorecer o Corinthians. Tite e rapazes têm menos mérito por terminarem a primeira parte da competição na liderança; os bons resultados que obtiveram em 19 rodadas são creditados mais a suposto beneficiamento proposital do que ao esforço de técnico e atletas. 

Antero Greco, O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2015 | 03h00

Em nome de quê essa preferência? A mando de quem? Com qual interesse? Ninguém responde a perguntas básicas, mas se soltam insinuações à larga, reforçadas por comportamento leviano de formador de opinião. Não há uma pessoa que venha a público e diga: “A mutreta está comprovada por isso, isso e aquilo.” 

O mais recente motivo de torcerem o nariz veio na vitória de virada por 2 a 1 sobre o Avaí, na tarde de ontem, em Florianópolis. Os gols de Luciano, o novo queridinho da torcida com atuações decisivas, ficaram em segundo plano. O equilíbrio da equipe, mesmo com a ausência de Renato Augusto, não passam de simples detalhe. A reconstrução de um grupo que perdeu jogadores importantes - como Sheik e Guerrero - soa como casualidade.

Importa dizer que houve favorecimento, pois a bandeirinha errou em lance que daria o gol de empate aos catarinenses. Lance que precisou ser passado, reprisado, analisado com tira-teima para se chegar a alguma conclusão - e ainda assim contraditória. Ah, mas houve erro no jogo com o São Paulo (houve pênalti de Uendel ignorado). Ah, e o pênalti marcado contra o Sport em cima da hora? Por que só para o Corinthians pode etc e tal?

Lances polêmicos ocorreram, e ocorrem, aos montes. Mas, até prova em contrário, devem ser creditados a falhas da arbitragem, por azar, coincidência, incompetência, medo. O juiz de sábado, no Morumbi, não teve peito de marcar pênalti de Renan e expulsá-lo, no jogo do São Paulo com o Goiás. 

Repetem-se cenas de toda rodada, de todo torneio, de todo ano. No clássico do Palmeiras, pela manhã, no mínimo um pênalti a favor do Flamengo passou batido e assim por diante. Os obcecados por maracutaias estendem a dúvida para eventual simpatia - sabe-se lá por quais motivos - para os times paulistas. É bobagem atrás de bobagem, asneiras despejadas sem pudor, que nascem de frustrações e se espalham até virarem “verdades”. Como certas campanhas de internet.

O Corinthians, com defeitos e limitações, mereceu virar o turno na frente dos demais. Atlético-MG, Grêmio, Fluminense fazem campanhas interessantes, têm potencial para brigar pelo título, assim como Sport, São Paulo e Palmeiras, que neste momento correm por fora. Mas a consistência alvinegra se viu ao longo destes meses. Pode não ser uma maravilha - e não é, de fato -, está aquém até de campanhas de 2012, porém é forte, tem consistência. 

Ou, se preferirem, o Corinthians é menos instável do que os demais. Não depende de um craque, do maestro que desequilibra - mesmo porque não tem esse jogador. Na uniformidade de Cássio a Gil, de Felipe a Elias, de Luciano e Malcom, o treinador formou um grupo confiável. Fica a dúvida se terá fôlego para sustentar-se no topo até o final. As 19 rodadas que vêm pela frente serão mais desgastantes, e daí entrará em ação a qualidade do elenco. 

O Corinthians cumpriu a parte dele como pôde - sim, também com erros dos juízes - e outros paulistas ainda buscam caminho seguro. O Palmeiras quase desanda de vez, no Allianz Parque, ao permitir a virada do Flamengo (2 a 1), no início da segunda etapa. A rapaziada de Marcelo Oliveira estava desnorteada, como desdobramento dos últimos tropeços, e teve gana para reagir, com os gols que levaram aos 4 a 2 finais.

O maior defeito do Palmeiras ainda é a oscilação e defeitos no sistema defensivo. Contudo, pode retomar a condição de candidato ao título (ou a Libertadores), se retomar a regularidade de rodadas atrás.


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