Rafael Arbex
Rafael Arbex

É dos 'trintões' que os técnicos paulistas gostam mais

Corinthians, São Paulo e Santos privilegiam atacantes experientes

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

03 Março 2015 | 08h20

Os atacantes com mais de 30 anos estão deixando algumas das principais revelações do futebol brasileiro no banco de reservas. Os treinadores justificam a escolha afirmando que os trintões ajudam mais na parte tática, têm espírito coletivo e não estão preocupados apenas com a finalização, o principal objetivo dos jogadores mais jovens. Isso significa que a força física não tem sido preponderante para a escolha de um atacante nos grandes clubes do Campeonato Paulista. 

"Aqui no Brasil, as pessoas falam dos jogadores de 30 anos, mas a maioria ainda tem muito futebol para mostrar", disse Robinho, autor de dois gols na vitória do Santos sobre o Linense, sábado, no Pacaembu. 

O ataque do Santos é formado por Ricardo Oliveira e Robinho, enquanto Gabriel, uma das grandes esperanças santistas depois da saída de Neymar, está no banco de reservas. Os dois primeiros tem 34 e 31 anos, respectivamente, enquanto o novato tem apenas 18. "O Ricardo Oliveira dá uma ajuda fenomenal para o time", explica o técnico Enderson Moreira. "Ele acompanha os laterais, ajuda a defesa no jogo aéreo, cria espaços e dá opções. O futebol não é apenas finalização, é o jogo coletivo. No Brasil, valorizamos apenas o gol, mas é preciso pensar no conjunto", continua o treinador. 

Gabriel perdeu espaço depois da disputa do Campeonato Sul-Americano sub-20, no Uruguai, quando o Brasil fez campanha regular e conseguiu apenas a quarta colocação. Quando retornou ao time, tentou queimar a preparação física, mas o treinador do Santos não o recolocou como titular. "Ele perdeu uma parte importante na preparação, a base para o ano todo, e agora está correndo atrás. Ele terá oportunidade, mas, no momento, Robinho e Ricardo Oliveira estão jogando bem". 

O Corinthians vive uma situação parecida com a escalação de Vagner Love (30 anos) nos últimos jogos substituindo Emerson Sheik (36 anos), que está com uma inflamação no joelho direito - ele não viajar com a equipe para Buenos Aires para a partida contra o San Lorenzo, pela Copa Libertadores. A preferência de Tite pelos dois como companheiros de Guerrero faz com que Luciano (22 anos) e Malcom (18 anos) fiquem no banco de reservas. 

O técnico Tite também não abre mão da disciplina tática, principalmente de Emerson Sheik, para compor a equipe. "É um cara que marcou a minha vida. Aprendi muito com ele, eu me tornei um pouco mais homem e um pouco mais profissional também. Sem dúvidas a volta dele ao Corinthians é um combustível a mais para mim pelo carinho e o respeito que temos um com o outro", afirmou Emerson sobre o treinador do Corinthians. 

No São Paulo, Luis Fabiano é o dono da camisa 9, mesmo aos 34 anos. Sobrou apenas uma vaga no ataque para a disputa entre Alexandre Pato (25 anos) e Alan Kardec (26 anos). Nos últimos jogos, Pato confirmou a boa fase - é artilheiro do Campeonato Paulista com sete gols - e assegurou a vaga no ataque. 

"O Luis depende muito da parte física, sabe disso. Hoje, atacante não dá só para fazer gol. Atacante que só faz gol, hoje, não dá. Quando está bem preparado, ele rende", afirma. 

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