Washington Alves/Reuters
Washington Alves/Reuters

É mais fácil organizar uma Copa com menos democracia, diz Valcke

Dirigente espera menos problemas para a Copa na Rússia, em 2018, com o presidente Putin

Reuters

24 de abril de 2013 | 17h54

ZURIQUE - Democracia demais pode ser um obstáculo na organização de uma Copa do Mundo, disse o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, nesta quarta-feira. Ele afirmou que uma das razões das dificuldades que a Fifa enfrentou nos preparativos para o Mundial de 2014, no Brasil, são os vários níveis de governo no país. O dirigente espera menos problemas para a Copa na Rússia, em 2018, com o presidente russo, Vladimir Putin.

"Eu vou dizer uma coisa que é loucura, mas menos democracia às vezes é melhor para organizar uma Copa do Mundo", disse ele num simpósio sobre o torneio. "Quando você tem um chefe de Estado muito forte que pode decidir, como talvez Putin possa fazer em 2018 ... É mais fácil para nós, organizadores, do que um país como a Alemanha ... Onde você tem que negociar em diferentes níveis."

"A principal batalha que temos (é) quando entramos em um país onde a estrutura política é dividida, como no Brasil, em três níveis: federal, estadual e municipal", explicou. "(Há) diferentes pessoas, diferentes movimentos, interesses diferentes e é muito difícil organizar uma Copa do Mundo nessas condições."

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, em seguida disse à plateia que ficou aliviado que a anfitriã Argentina tenha conquistado a Copa do Mundo de 1978, que foi realizada sob um governo militar opressor. "Eu lembro que a primeira Copa do Mundo que eu estava diretamente envolvido foi a da Argentina e eu diria que fiquei feliz que a Argentina venceu", disse.

"Foi uma espécie de reconciliação do público, do povo da Argentina, com o sistema, o sistema político, o sistema militar na época. Eu acredito que, e esta é a minha opinião sobre esse assunto ... não sei o que poderia ter acontecido se tivessem perdido aquela final, e eles estiveram perto de perder, porque os holandeses acertaram a trave nos últimos minutos do tempo regulamentar", acrescentou. "O esporte e o mundo mudaram, esta era a minha sensação no momento."

A Argentina venceu a Holanda por 3 a 1, após a disputa de uma prorrogação. Blatter descreveu a Fifa como sendo conservadora, liberal e socialista, tudo ao mesmo tempo. "Somos conservadores, como os católicos, quando se trata das regras do jogo e arbitragem. E somos liberais quando vamos ao mercado", disse ele, referindo-se às relações comerciais da entidade que controla o futebol mundial. "Somos Marx e Engels quando se trata da distribuição do dinheiro, 70 por cento de toda a renda é distribuída para as associações nacionais para programas de desenvolvimento."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.