Hélvio Romero/Estadão
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E nem adianta ser campeão

Sucessão de problemas amontoados no Corinthians não se resolverá nem que o time ganhe o título paulista

Mauro Cezar Pereira, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2020 | 05h00

Dos 33 atletas testados para covid-19, 23 acusaram positivo no Corinthians, algo em torno de 70% do grupo. O clube foi o “campeão” em número de jogadores contaminados pelo novo coronavírus entre os integrantes da primeira divisão nacional.

Um tanto quanto estarrecedora a revelação, na comparação com a quantidade muito menor de profissionais atingidos pelo vírus em outros clubes. E foi apenas uma nota negativa em meio à enxurrada de problemas que preenchem o noticiário do clube.

O time uruguaio Montevidéu Wanderers, por exemplo, cobra parcela atrasada pela contratação de Bruno Méndez. Volante campeão brasileiro em 2017, Paulo Roberto, por sua vez, recorreu à justiça do trabalho. Quer R$ 1,2 milhão.

É, os advogados têm tido muito trabalho. Por conta de outra dívida, com o ex-volante Magrão, em mais uma de várias ações do gênero, o clube acenou com a penhora do Parque São Jorge. A conta aí estaria em R$ 1,6 milhão.

Apesar da falta de dinheiro, o Corinthians coleciona jogadores da mesma função. Ao promover o garoto Xavier ao elenco profissional, alcançou a incrível marca de 19 (dezenove) volantes sob contrato. Um time inteiro com banco e tudo.

Em Campinas, a justiça apontou fraude na contratação de Matheus Davó, que passou a correr o risco de ser anulada. O atleta, que jogava no Guarani, por sinal, na década foi o 52.º a chegar ao clube tendo vínculo com a mesma empresa, a Elenko Sports.

Nos primeiros dias de julho, o Corinthians voltou a acumular três meses de salários atrasados com seu elenco de futebol profissional. O clube também se tornou alvo de ações trabalhistas de atletas de outras modalidades, como basquete, futsal e vôlei.

Em junho, o Corinthians foi condenado, aguarda recurso, mas poderá ter de pagar R$ 2,2 milhões a um ex-fisioterapeuta do clube. O processo já tem 10 anos. Também no mês passado, foi constatado que o clube tem contra si 177 processos na Justiça do Trabalho.

Somados, os rivais Palmeiras, Santos e São Paulo não somam tantas ações. Importante: todas essas informações foram veiculadas pelo site Meu Timão, que a diretoria em reta final de mandato intimou judicialmente pelo uso da marca “Timão”.

Em campo, a crise foi minimizada por meses devido à interrupção dos campeonatos provocada pela pandemia. Mas o reencontro com o campo obriga a olhar para a tabela de classificação, e isso traz de volta pesadelos que ficaram de lado.

Quarta-feira o time encara justamente o rival Palmeiras, em Itaquera. Se não vencer, estará eliminado do Campeonato Paulista. Caso consiga três pontos, precisará torcer contra o Guarani, que encara o Botafogo na quinta.

Mesmo se tudo der certo no meio de semana, o domingo reservará mais drama, com os corintianos saindo para encarar o Oeste em Barueri e esperando uma ajuda do São Paulo diante do time de Campinas. Em suma, a classificação é dificílima.

Caso caia antes do mata-mata da competição estadual, o Corinthians chegará à segunda eliminação em 2020 para um time chamado Guarani. Como em 2015, o do Paraguai voltou a despachar os alvinegros da Copa Libertadores, desta vez logo na primeira fase.

Tiago Nunes, que em meio à parada do futebol esteve em rota de colisão com o presidente Andrés Sanchez, viu a situação se apaziguar. Mas o técnico sabe que sem resultados, a crise voltará ainda mais pesada. O clássico de quarta-feira contra o Palmeiras pode ditar a sequência da temporada.

Contudo, os corintianos se veem em situação crítica nas finanças, com atrasos, ações e cobranças judiciais e uma dívida que só cresce. Sem falar na dívida do estádio! Se for campeão paulista será uma reação épica, histórica. Mas não resolverá, nem de longe, os problemas amontoados.

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