Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

'É o meu jeito, não quero e não vou mudar', afirma Gabriel

Com o futuro indefinido, artilheiro do Brasileirão admite que pode passar uma imagem de marrento para quem não o conhece

Entrevista com

Gabriel, atacante do Santos

Marcius Azevedo, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2018 | 05h00

Cabelo estiloso, barba alinhada e corpo coberto de tatuagens. Quem vê Gabriel em campo enxerga um pouco de marra. O atacante do Santos nega que esta seja sua intenção, mas admite que não pretende mudar. Aos 22 anos, ele voltou ao clube de coração após passagem frustrante por Inter de Milão e Benfica e, em boa fase, definirá o futuro ao final da temporada. Antes de ir, o desejo é conquistar uma vaga na Libertadores. A artilharia – lidera com 14 e pode ampliá-la nesta segunda-feira, diante do Internacional – é consequência.

A vaga na Libertadores será um ‘título’ para o Santos?

Entre aspas sim. Até porque o nosso começo não foi tão bom. Será um objetivo muito bom se conseguirmos uma vaga na Libertadores. Faltam muitos jogos, muita coisa pode acontecer. Estamos chegando perto do Atlético-MG (6.º colocado) e temos o confronto direto com eles, mas sabemos que o Brasileiro é complicado e, se perdemos alguns jogos, podemos ficar perto da zona de rebaixamento novamente. Prefiro ter calma, pensar um jogo depois do outro. Chegar na Libertadores será algo bastante significativo para nós.

O que o Cuca fez que o Jair Ventura não conseguiu?

Cada um tem um método de trabalho, pensa o futebol de uma maneira. O Jair fez o melhor e o Cuca faz o melhor. Está dando certo com o Cuca. Temos conseguido ser um time competitivo, objetivo, que cria bastante chance de gol e sofre pouco. É difícil falar o que um fez e o outro não. 

Sem comparar, então, o que o Cuca fez?

Ele deu muita confiança, acreditou no grupo. Nós sabíamos que ele poderia ir para diversas equipes. Ele nos escolheu, assim como o Santos o escolheu. Temos uma relacionamento muito bom, dentro e fora de campo. Ele gosta de conversar sobre coisas pessoais, estar junto. Tudo mundo gosta dele, tem o grupo na mão.

O fato de o Cuca te colocar um jogo no banco te ajudou?

Serviu para eu pensar um pouco, para ele conversar comigo também. Analisar o time de fora, ver que eu não era o único culpado como muita gente estava falando. Quando o time não vai bem, todos acabam caindo de produção.

Ser o artilheiro do Brasileirão te seduz?

Confesso que não. Obviamente que ser artilheiro do Brasileirão é algo bastante significativo, seja pela minha idade, pelo ano que estou fazendo, que é muito bom. Mas não é algo que me tira o sono, me deixa preocupado. Meu objetivo é deixar o Santos na Libertadores para, se for embora, ir tranquilo e, se ficar, poder disputá-la.

Não decidiu o seu futuro? 

Estou focado nos últimos nove jogos. Podem ser os últimos pelo Santos, estou apreensivo, até triste, eu confesso. Quero aproveitar da melhor maneira possível cada treino, cada jogo. E depois vamos sentar e conversar. Tem os meus pais, empresários, a Inter (de Milão, donos dos direitos), o Santos... Fico feliz de o presidente ter dito que quer me manter aqui. Melhor ir com calma, pensar nos jogos. Não vai se resolver de um dia para o outro.

Não teme este bate-volta?

Sou privilegiado. Posso voltar à Europa, continuar no Santos ou até ir para outra equipe no Brasil. Tudo que o jogador quer é ter vários clubes interessados. Quero acabar estes nove jogos muito bem comigo, com meus companheiros, com os torcedores e com o clube. 

Sua relação com o Santos vem da arquibancada, como torcedor. Jogaria em outra equipe no Brasil? 

Todos sabem do meu amor pelo Santos, da minha vontade de jogar aqui, mas não depende só de mim. Se fosse só o coração, ficaria no Santos para sempre, até me aposentar. Mas respeito todos os times.

As pessoas confundem confiança com marra?

(Risos). Acho que sim. Às vezes, as pessoas não me conhecem tão bem, me veem apenas dentro de campo e posso passar essa imagem, não que eu queira ou que faça algo. Mas dentro de campo esse é o meu jeito, não vou mudar, não quero mudar. As coisas estão dando certo assim.

E fora de campo?

As pessoas falam coisas que não sabem. Tem pessoas, com todo o respeito, que ficam no estúdio de TV e não acompanham o dia a dia, o treinamento, o que acontece aqui (no centro de treinamentos), nos jogos. Tem pessoas que falam que sou marrento também fora de campo sem nunca ter convivido comigo. Um dia vi uma matéria em que disseram que eu andava com pessoas que não fazem bem. Acredito que não sabem com quem eu ando. Mas eu tento respeitar todo mundo. O mais importante é que sei o que faço e que minha cabeça está tranquila.

Você foi campeão olímpico, esteve na primeira convocação do Tite e depois sumiu das listas. Aconteceu alguma coisa?

Eu tive esta convocação e depois fui para a Inter e acabei não jogando. O Brasil tem um leque enorme de opções. Ele optou por jogadores que estavam atuando mais em seus clubes, marcando gols e acho isso uma coisa natural. Até esperava, porque tem muito centroavante no Brasil e, jogando pouco, não seria convocado. Não tento entender. Obviamente fiquei triste de não ser convocado, mas é algo natural.

A seleção é o caminho natural para o artilheiro do Brasileirão?

Difícil falar. Procuro deixar os outros falarem. Tenho de fazer a minha parte em campo. Obviamente é um objetivo, a cada convocação eu fico ansioso, mas não me frustra. Vou continuar trabalhando bastante.

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.