'É preciso segurança, credibilidade e espaço nas transmissões'

Avaliação é de Antônio Carlos Morim, coordenador da ESPM Rio

Renan Fernandes, O Estado de S. Paulo

14 de dezembro de 2015 | 07h00

Em conversa com o Estado, o professor de Gestão de Marcas e coordenador do MBA de Gestão de Negócios e Inteligência Competitiva da ESPM Rio, Antônio Carlos Morim, elenca três pilares que ainda afastam os investidores do futebol brasileiro, principalmente em parcerias de longo prazo.

CREDIBILIDADE

O modelo gestor de muitos dos nossos clubes vive de fases boas, mas carece de uma visão profissional. Além disso, ainda estamos assimilando o modelo de naming rights com as novas arenas. Este é um cenário caótico para o investidor de uma marca, que trabalha com parâmetros perfeitos de investimento.

O ambiente do futebol ainda permite certas nuances e, em certos momentos, falcatrua. Então, você pode estar colocando dinheiro em um clube e ver sua marca envolvida em um escândalo. Isso aconteceu com os parceiros da Fifa, que chegaram ao ponto de exigir a saída de Joseph Blatter do cargo de presidente da entidade. Além dos nomes dos anunciantes aparecerem ao lado de camburões de polícia, ainda podem surgir associações e teorias da conspiração. 'Será que ele (patrocinador) estava envolvido em tudo isso?'

Por isso a maioria das marcas prefere fazer um contrato de curto prazo. Você não consegue enxergar no médio e no longo prazo do futebol brasileiro um planejamento estratégico estruturado em seu parceiro/clube. Às vezes você até tem dinheiro para fazer uma parceria de 20 anos, mas surge aquela dúvida: 'Será que eu devo investir?'

INSEGURANÇA

O próprio País faz o investidor se questionar. O Brasil não é um País estável na política e em suas taxas de impostos. É possível estar estruturado e ganhando dinheiro no Brasil, mas não é possível apostar 20 anos na frente.

TRANSMISSÃO

Você escolhe um momento, um evento específico para expor sua marca porque ali está o seu consumidor. Mas com o naming rigths você ainda precisa negociar a parte com a mídia para ela falar seu nome. As transmissões da Rede Globo são um exemplo. Nas grandes competições estrangeiras ela fala o nome do patrocinador porque ela entra apenas como retransmissora do evento. Mas aqui no Brasil ela compra os direitos de transmissão e define seus parâmetros. Assim, ela está em seu direito jurídico de pleitear um investimento para fazer a exposição de uma determinada marca.

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