Nilton Fukuda/Estadão
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É preciso ter apetite

São Paulo está mais forte, mas ainda não tem agressividade para sufocar seus adversários

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2020 | 04h00

Tirando todos os contratempos do São Paulo em Araraquara, que também foram do Palmeiras, como o encontro precoce na tabela do Paulistão e o calor de 33º C, falta ao time de Fernando Diniz mais agressividade. Alguns chamam de apetite para atacar. Essa deficiência não diz respeito somente ao que vimos no clássico. Já é uma constatação de temporadas passadas. O São Paulo não sufoca mais seus rivais, não avança marcações sem medo de se expor, não empurra os adversários para dentro de sua área feito um boxeador nas cordas.

O São Paulo ainda é um time cheio de receios e sem confiança. Não tenho dúvidas de que vai melhorar ao longo da temporada. É melhor hoje do que foi no ano passado. Mas ainda carece de mais “vontade” e sangue nos olhos.

Fez uma partida OK diante do Palmeiras, que até outro dia era o time mais badalado do futebol brasileiro. Mais uma vez, no entanto, não conseguiu quebrar a sequência de resultados positivos e empates do rival. Agora já são dez encontros, desde 2017, que não ganha do Palmeiras. Alguns de seus jogadores viram o ponto conquistado em Araraquara como positivo, afinal era mando do adversário – o Allianz Parque troca seu gramado, como o Estado mostrará hoje em seu site.

Há outros dois problemas no Morumbi que já passaram da hora de mudar, ajeitar, olhar e tratar de formas diferentes. Refiro-me à política e ao comportamento da torcida. Fiquei sabendo que Arboleda chorou copiosamente no vestiário após as agressões verbais dos torcedores na estreia do time na temporada. Ele foi duramente condenado por ter usado “sem se dar conta” uma camisa do Palmeiras. Arboleda também foi chamado de “burro” pelo ex-zagueiro Lugano, atualmente membro da direção do clube. O jogador é de longe um dos melhores e mais regulares da equipe. Poderia ter tido tratamento diferente, menos agressivo e de mais orientação. Sei que torcedor nenhum aprova que jogador do seu time use outras cores, mas calma lá! Uma conversa bastaria. Então, se ele ou o clube precisasse de um motivo para pular fora, agora eles têm.

A versão 2020 desse São Paulo tem pontos que começam a agradar também. Gosto da ideia de Daniel Alves abandonar de vez o lado direito do campo. Ele começou o ano totalmente despreocupado com sua função de origem. Joga dando de ombros para o setor, que não lhe pertence mais. Isso é bom. Não dava para ele ser camisa 10 e camisa 2 ao mesmo tempo. Fernando Diniz o liberou da responsabilidade na direita. Daniel corre por todos os setores e joga melhor. Contra o Palmeiras, foi dele a melhor chance de marcar.

Hernanes e Pablo também demonstram mais entrosamento e qualidade. Pelo menos vontade. O atacante precisa recuperar a fama que o trouxe para São Paulo, numa disputa até acirrada com outros interessados. Pablo era um atacante promissor antes das contusões. Penso que ainda pode ser. De cara, ganhou a disputa por posição com Alexandre Pato, que ontem ficou no banco e entrou no segundo tempo. Mas nem de longe foi um autêntico camisa 9. Pato ajudou mais roubando bola na defesa.

Talvez seja cedo para escrever isso, mas Pato virou um jogador para compor elenco, e isso é o pior que poderia acontecer com ele. Tomara eu esteja errado e ele reaja em campo. Helinho foi o escolhido por Diniz e ainda há Antony, que serve a seleção brasileira pré-olímpica na Colômbia. Quando voltar, será titular. E Pato continuará no banco.

Dos grandes da Capital, vejo São Paulo e Palmeiras em condições parecidas após duas rodadas no Estadual. Da mesma forma que olho para um Corinthians mais rápido e perto do gol adversário, com chegadas de seus homens de meio. E um Santos ainda em formação.

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