Reprodução / Premiere
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Edenílson contesta laudo inconclusivo de injúria racial com perícia independente

Atleta do Internacional acusa o corintiano Rafael Ramos de tê-lo chamado de 'macaco'; MP vai decidir se arquiva o caso ou denuncia o atleta

Redação, O Estado de S. Paulo

16 de junho de 2022 | 14h32

Diante do “resultado inconclusivo” do Instituto Geral de Perícias (IGP-RS) na leitura labial do lateral corintiano Rafael Ramos, o volante Edenilson, que acusa o rival de injúria racial, contratou uma perícia independente. Imagens e áudios do árbitro de vídeo (VAR), um perito surdo e a análise da fala de cidadãos portugueses apontam a expressão “macaco do cara...”. O corintiano nega.

A análise foi importante para o pedido de indiciamento do corintiano pela Polícia Civil gaúcha na conclusão do inquérito do caso de suposta injúria racial na segunda-feira, 13. O caso foi enviado ao Ministério Público (MP), que pode oferecer a denúncia contra Rafael Ramos ou arquivar o caso. O órgão também pode solicitar a ampliação da investigação policial. Além do inquérito criminal, o caso está sendo apurado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, que colheu depoimentos dos dois jogadores durante as últimas semanas.

Em resposta, a defesa do jogador corintiano fará uma representação contra o delegado Roberto Sahagoff e pedirá o cancelamento do indiciamento, considerado "temerário e arbitrário" pelo advogado Daniel Bialski, responsável pelo caso. 

Edenílson acusou Rafael Ramos de chamá-lo de "macaco" durante o empate por 2 a 2 entre os dois times, no dia 14 de maio. Ao fim da partida, o português, que nega as acusações desde o princípio, foi detido ainda no Beira-Rio, mas acabou liberado após pagamento de fiança de R$ 10 mil.

“Confrontados todos os materiais, chegamos a determinar claramente que a palavra proferida foi “macaco”. As outras palavras ditas não são possíveis de leitura. Isto encontra-se demonstrado em vídeos e imagens juntadas ao nosso Parecer Técnico”, afirma o perito judicial Roberto Meza Niella ao Estadão.

O especialista conta que a análise se baseou no arquivo audiovisual do árbitro de vídeo (VAR), que não havia sido analisado segundo o perito, além de material de cidadãos portugueses. A perícia independente analisou ainda gravações do próprio jogador Ramos durante seu depoimento e contou com o trabalho de um perito em leitura labial que é surdo oralizado.

A defesa de Ramos também contratou uma perícia própria que sustenta o argumento de que o jogador teria dito “f... mano, car...”. O Instituto-Geral de Perícias (IGP), órgão da Secretaria de Segurança Pública, afirmou que não há metologia científica para se chegar a um resultado na leitura labial. 

Edenilson reclamou do relatório oficial nas redes sociais. “Não iriam nos calar???? Já nos calaram. Se ofendidos aceitem, engulam a seco. Finjam que não escutaram, é uma luta desleal, é uma luta inconclusiva!", postou o jogador do Inter. Além disso, o atleta mudou seu nome na biografia da rede social para "Macaco Edenilson Andrade dos Santos" e apagou todos as publicações.

Investigadores da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Porto Alegre afirmam que a palavra de Edenilson teve peso importante para o pedido de indiciamento. Além disso, os policiais analisaram quatro laudos periciais: dois da defesa de Rafael Ramos, o parecer inconclusivo do IGP e a análise da perícia contratado por Edenilson. Os dois pareceres da defesa estavam contraditórios entre si, de acordo com os policiais.

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